Projeto offshore em Sergipe busca extrair potássio no mar
Um projeto inédito de extração marítima de potássio na Bacia de Sergipe-Alagoas promete transformar os setores de mineração e do agronegócio no Brasil. A iniciativa, liderada pela empresa South Atlantic Potash (SAP) com o respaldo da Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), confirmou a existência de jazidas de silvinita, rocha essencial para a obtenção do insumo usado em fertilizantes.
Confirmação de jazidas e alvos exploratórios
Com base em dados históricos da companhia, quatro poços perfurados cruzaram o Membro Ibura, pertencente à Formação Muribeca, atestando a presença da rocha. Em um dos pontos analisados, os técnicos detectaram uma camada de 27,5 metros de silvinita a uma profundidade aproximada de 2,5 quilômetros.
Mediante a união dessas informações com dados sísmicos, a empresa mapeou nove alvos de exploração na região do Baixo Mosqueiro, embora tais locais ainda careçam de comprovação formal de reservas. No momento, o empreendimento passa por uma fase de avaliação técnica conceitual, com etapas futuras que englobam sondagens no oceano, cálculos de recursos, análises de viabilidade, além de licenciamento ambiental e captação de recursos.
Como funciona a mineração offshore
O modelo planejado dispensa grandes escavações oceânicas, adaptando para o ambiente marinho a técnica de lavra por dissolução. O procedimento envolve a perfuração por meio de plataformas e a injeção de água nas profundezas para dissolver os sais, gerando uma solução aquosa carregada de minerais que é trazida de volta à superfície.
Em terra firme, essa substância líquida é submetida a processos de evaporação e cristalização para isolar os compostos, com a meta de entregar o cloreto de potássio (KCl) necessário para a agricultura. O CEO da SAP, Bonzi Yokomizo, destacou que “a tecnologia reduz os impactos ambientais por não gerar rejeitos sólidos, dispensar o uso de barragens e não utilizar reagentes químicos”. O executivo acrescentou que “o cloreto de sódio obtido no processo será vendido como coproduto, e a salmoura residual passará por rigoroso controle de licenciamento ambiental”.
Impacto estratégico para o agronegócio
O empreendimento surge como resposta a um dos principais calcanhares de Aquiles da agricultura nacional: a forte dependência de produtos estrangeiros. O Brasil ocupa a posição de segundo maior consumidor mundial do mineral, mas traz de fora mais de 96% do insumo que consome, enquanto a produção global fica concentrada em Canadá, Rússia e Belarus, responsáveis por 87% do mercado.
O planejamento estadual aponta que a meta inicial é alcançar a marca de 2 milhões de toneladas anuais, suprindo 14% do mercado interno e quadruplicando a produção atual do país. Além de uma economia anual prevista entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões, o projeto visa blindar a economia nacional contra instabilidades internacionais no fornecimento.
A vocação sergipana para o setor não é recente, visto que os primeiros registros de potássio no estado datam de 1963, quando a Petrobras localizou jazidas por acaso em Rosário do Catete. A região ainda abriga a única mina ativa de potássio em território brasileiro, situada no Complexo Mineroquímico de Taquari-Vassouras.
Fonte: SERGIPE