Pular para o conteúdo principal

Caderno Mercado

Tebet prevê governo de Lula mais aberto a partidos fora do PT

Tebet prevê governo de Lula mais aberto a partidos fora do PT

A senadora Simone Tebet afirmou em entrevista ao Estúdio i, nesta terça-feira (27), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entendeu o “recado das ruas” após a mobilização popular no segundo turno das eleições e deve adotar uma postura mais aberta a aliados de outros partidos em seu quarto mandato.

Aliança política e pluralidade partidária Segundo a parlamentar, a gestão federal precisará valorizar os colaboradores para além dos limites partidários. “Eu acredito que vai ser um governo diferente em todos os aspectos. Difícil, nós não teremos maioria, com todas las dificuldades, dificuldades econômicas, mas acho que virá um Lula 4 com uma frente ampla valorizando os companheiros, independentemente de serem do Partido dos Trabalhadores ou não”, afirmou.

A legisladora relatou que esteve ao lado do chefe do Executivo nos momentos derradeiros da disputa e percebeu o impacto causado pelo envolvimento da sociedade civil. “O presidente estava absolutamente impactado. Ele estava tão impactado que, no dia seguinte, quando nós fomos votar, eu fui votar com ele, ele chegou e disse exatamente isso: ‘As ruas falaram'”, contou.

Nova dinâmica com o Congresso e o Centrão Na visão da senadora, o método de negociação baseado na entrega de pastas ministeriais a siglas aliadas perdeu eficácia e não assegura o respaldo das bancadas nas votações. “Fechar com partido não significa levar também o apoio individual dos parlamentares desse mesmo partido”, disse. Ela pontuou que o enfraquecimento do Centrão no pleito abre margem para redefinir o diálogo, uma vez que tais legendas também buscam reaver espaço político junto à administração federal.

Para a aliada, essa aproximação serve tanto aos interesses de governabilidade quanto à revitalização do centro democrático. “A forma de nós realmente enterrarmos o bolsonarismo e la extrema-direita no país é voltando a fortalecer e dando força aos partidos de centro, seja o MDB, o PSDB, o PSD, seja aqueles que a gente inclui como Centrão”, declarou.

Ajuste fiscal e emendas parlamentares Abordando as contas públicas, a senadora defendeu a contenção de despesas, desde que os direitos sociais sejam preservados. “Eu sempre digo que o Brasil cabe no orçamento brasileiro”, afirmou. Na avaliação dela, a prioridade deve ser o combate a desvios e privilégios. “O problema é que a gente tem que lidar, além dos problemas reais da vida das pessoas, com desperdícios, com privilégios, com corrupção e com emendas parlamentares bilionárias”, disse, citando o montante de R$ 60 bilhões destinado a essas verbas.

O desafio no Senado Federal A composição da Câmara Alta foi apontada como o principal obstáculo para a aprovação de pautas governistas devido à força da oposição. “O Senado é hoje […] o calcanhar de Aquiles do governo, porque nós não temos maioria absoluta, aliás, estamos longe de ter sequer maioria”, declarou. Mesmo diante desse cenário, Tebet aposta na necessidade de avançar com reformas estruturais, incluindo eventuais modificações no funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Análise sobre a derrota de Flávio Bolsonaro Por fim, a senadora atribuiu o revés eleitoral de Flávio Bolsonaro ao comportamento da campanha adversária no decorrer da disputa. “A arrogância, ela precedeu a derrota”, avaliou, mencionando ainda falas que considerou preconceituosas. “A arrogância não só levou o Flávio e a sua equipe à inércia, mas a mostrar o verdadeiro DNA fascista daquela turma”, concluiu.

Fonte: G1 - Política