Investigações contra Flávio Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recentemente derrotado na disputa pela Presidência da República, tornou-se alvo de investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal apura se o senador deixou o Brasil após um jornal argentino divulgar que ele teria saído do país pela fronteira com Puerto Iguazú, na Argentina.
Ordem de restrição de viagens A suspeita de fuga ocorreu justamente um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes determinar que o senador entregasse seus passaportes. A decisão faz parte do processo que investiga a ligação de Flávio com o advogado Willer Tomaz e que também cita o caso do filme “Dark Horse”.
Investigação sobre o filme Dark Horse Em uma das apurações, sob relatoria do ministro André Mendonça, Flávio é investigado pela possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação mira repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção.
Ligação com apostas esportivas e Willer Tomaz Outra apuração em andamento no STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, investiga se o senador cometeu o crime de lavagem de dinheiro utilizando uma casa de apostas. A Polícia Federal quebrou o sigilo telemático do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, e encontrou e-mails indicando que o senador foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz. A PF afirma no seu relatório que há “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, a primeira a obter autorização estadual da Loterj, no Rio de Janeiro, para explorar apostas esportivas de cota fixa no estado.
Futuro do foro privilegiado O mandato de Flávio como senador termina em 2027 e, com a derrota nas urnas, ele deixará de exercer um cargo público, perdendo o foro privilegiado em razão do mandato. No entanto, as investigações podem permanecer no STF. Em 2025, o tribunal decidiu que, quando o crime investigado tiver sido praticado durante o exercício do cargo e estiver relacionado às funções desempenhadas, o foro é mantido mesmo após o fim do cargo. Advogados criminalistas avaliam que ambos os casos devem continuar no STF, porque Flavio supostamente usou o seu “prestígio” como senador para conseguir as vantagens.
Inquérito por calúnia Flávio também responde a um inquérito no STF por crime de calúnia contra Lula. Na postagem, publicada no X, em 3 de janeiro de 2026, Flávio atribui ao presidente reeleito crimes como os de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Em julho, a PF cancelou o depoimento do senador sobre o caso após defesa apresentar esclarecimentos.
Fonte: G1 - Política