Polícia Federal apontou risco de fuga de Flávio Bolsonaro para o exterior
A Polícia Federal apontou riscos “concretos e atuais” de fuga em petição enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, solicitando a retenção do passaporte e a proibição de saída do país do senador Flávio Bolsonaro, derrotado nas eleições presidenciais.
Passaporte não entregue e investigações em andamento O prazo estipulado para a entrega do documento encerrou-se às 11h desta terça-feira (27), e Flávio Bolsonaro não realizou a devolução conforme a determinação judicial. A corporação agora apura se o parlamentar conseguiu deixar o território nacional apesar da vedação impuesta.
Fatores considerados pela Polícia Federal Para embasar a avaliação de que o político poderia escapar da jurisdição brasileira sob o argumento de perseguição política, a corporação destacou três pontos principais: a sugestão pública feita por seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, para que ele deixasse o Brasil; a capacidade financeira expressiva; e a infraestrutura já consolidada no exterior para uma estada prolongada.
A influência e as declarações de Eduardo Bolsonaro A petição da PF resgatou um pronunciamento recente em solo norte-americano feito pelo irmão do investigado.
“Em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, EDUARDO BOLSONARO, irmão do Senador FLÁVIO BOLSONARO, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral. Cabe recordar que EDUARDO BOLSONARO foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo”.
Conexões com investigados nos Estados Unidos Os investigadores ressaltaram que a manifestação não pode ser avaliada de forma isolada, lembrando que Willer Tomaz, investigado em conjunto com Flávio Bolsonaro em um inquérito de lavagem de dinheiro, reside em Miami desde agosto de 2026, após ser alvo da Operação Sem Desconto.
A corporação apontou que Willer Tomaz dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior.
Apuração sobre repasses financeiros e delação A autoridade policial também colocou sob suspeita o destino de valores enviados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro por intermédio do doleiro Antonio Freixo.
“Somam-se a isso dois elementos relevantes. O primeiro é que EDUARDO BOLSONARO, ao que tudo indica, já mantém nos Estados Unidos estrutura voltada à permanência de longa duração. O segundo é que permanece sob apuração o real destino dos recursos remetidos aos Estados Unidos por DANIEL VORCARO, por intermédio do doleiro ANTONIO FREIXO. Não está descartada a hipótese de que parte desses valores tenha sido destinada ao custeio da permanência de EDUARDO BOLSONARO em território estadunidense”.
Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, realizou sete transferências para o filme Dark Horse através do fundo Havengate, que é administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Mineiro firmou acordo de colaboração premiada homologado pelo ministro André Mendonça em setembro.
O caso tramita sob sigilo de justiça e integra procedimentos que investigam a relação do senador com Willer Tomaz em um suposto esquema envolvendo apostas esportivas, além de apurações sobre o financiamento de uma produção cinematográfica biográfica.
Fonte: G1 - Política