Oposição da Argentina cobra apuração sobre passagem de Flávio Bolsonaro
Legisladores de oposição na Argentina exigiram nesta terça-feira (27) uma investigação a respeito de uma possível passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo território argentino antes de uma suposta viagem aos Estados Unidos. A demanda surgiu após publicações na imprensa internacional apontarem que o político teria cruzado a fronteira via Puerto Iguazú.
Cobrança de esclarecimentos ao governo de Javier Milei A administração do presidente Javier Milei, que mantém aliança política com o senador brasileiro, assegurou que não existem registros oficiais de entrada do parlamentar em solo argentino. Apesar da negativa, blocos opositores pressionam por transparência sobre as condições da suposta travessia e os fatos que envolveriam o deslocamento, conforme relatado pelo jornal espanhol “El País”.
Contexto das investigações e restrições judiciais no Brasil A polêmica ocorre em meio a determinações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiram o senador de deixar o país no âmbito de apurações sobre o financiamento do filme Dark Horse e suspeitas de lavagem de dinheiro em conjunto com o advogado Willer Tomaz. O prazo para a entrega dos passaportes vencia nesta terça-feira (27) e não foi cumprido pelo parlamentar. Diante do cenário, a Polícia Federal havia alertado sobre o risco de fuga e apontado suspeitas envolvendo valores atribuídos a Vorcaro.
Reações no Congresso da Argentina A senadora peronista Juliana Di Tullio formalizou cobranças para que o Executivo nacional se pronuncie sobre o caso.
“O governo argentino, por meio de Diego Santilli [ministro do Interior], deve explicar se Bolsonaro usou nossa fronteira e nosso território para fugir do Brasil”, afirmou.
No mesmo sentido, a deputada Myriam Bregman, representante da Frente de Esquerda, exigiu explicações das autoridades locais e ironizou discursos de segurança pública defendidos pelo espectro político conservador. Já o deputado socialista Esteban Paulón protocolou um requerimento de informações no âmbito da Câmara dos Deputados para apurar se há dados migratórios ou alertas judiciais pendentes.
Hipóteses e posicionamento oficial de órgãos migratórios Entre as especulações debatidas no parlamento vizinho, apura-se se a travessia teria ocorrido a pé utilizando documentos nacionais ou por meio de cidadania estrangeira. Por sua vez, a Direção Nacional de Migrações negou a existência de registros formais e confirmou a vistoria em uma aeronave em Puerto Iguazú, cujos papéis estariam regulares e sem conexões com a família Bolsonaro. A Presidência da República, por meio do porta-voz Adrián Ravier, também descartou a existência de solicitações de asilo político.
Fonte: G1 - Política