Eleições em Israel terminam em impasse segundo boca de urna
As urnas foram fechadas nesta terça-feira (27) em Israel, registrando as primeiras eleições gerais no país desde o início do conflito na Faixa de Gaza. De acordo com levantamentos de boca de urna divulgados pelas principais redes de televisão, o pleito terminou sem um vencedor claro, configurando um aparente impasse político.
Cenário parlamentar e partidos menores As projeções apontam que nem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem seu principal rival, Gadi Eisenkot, conseguirão assegurar a maioria necessária de 61 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense. O bloco de oposição aparece na frente por uma margem estreita, com 52 a 53 vagas, enquanto a coalizão governista de Netanyahu teria alcançado 50 assentos.
Nesse contexto de divisão, dois partidos árabes israelenses têm potencial para conquistar um número recorde de 17 ou 18 cadeiras. A legenda moderada Ra’am, de Mansur Abbas, deve garantir sete assentos, ao passo que a Lista Unificada, de extrema esquerda, pode obter até onze vagas. Essa fragmentação dá às siglas menores um peso decisivo na formação de uma maioria, processo que pode levar dias de negociação.
A trajetória e os desafios de Netanyahu Aos 77 anos, Netanyahu soma quase 19 anos no poder ao longo das últimas três décadas. Ele busca a reeleição acuado por investigações de corrupção, um mandado de prisão internacional e forte desgaste gerado pelas falhas de inteligência que precederam os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, quando 1.200 pessoas foram mortas e 251 feitas reféns. A votação atual registrou participação recorde dos eleitores, divididos entre críticas à sua gestão e o reconhecimento de sua liderança em momentos de crise.
A alternativa da oposição Do outro lado da disputa está Gadi Eisenkot, de 66 anos, ex-chefe das Forças Armadas e atual líder do partido Yashar. Eisenkot ingressou na política há quatro anos, integrou o gabinete de guerra após os atentados de 2023 e rompeu com o governo oito meses depois. Apresentando-se como um nome de centro com sólida experiência em segurança, o ex-comandante tornou-se o principal opositor do atual premiê.
Polarização e discursos de campanha A campanha foi intensamente dominada pelo tema da guerra. Enquanto o conflito em Gaza desgastou a imagem interna de Netanyahu, as ofensivas contra o Irã renovaram parte do apoio popular ao premiê. A estratégia bélica foi sua principal ferramenta para atrair eleitores, sustentada pela premissa de que a nação enfrenta ameaças existenciais.
A tensão política escalou nos bastidores quando a imprensa local relatou pressões do premiê sobre as Forças Armadas para intensificar os ataques contra Teerã às vésperas do pleito. Diante da repercussão e da suposta ameaça de demissão de cúpulas militares, Gadi Eisenkot criticou duramente a postura do rival nas redes sociais: “Netanyahu, estou de olho em você”.
Caso nenhum dos líderes consiga consolidar uma maioria parlamentar, Israel poderá enfrentar rodadas prolongadas de negociações para a formação de um governo ou até mesmo a convocação de novas eleições, repetindo cenários de instabilidade anteriores.
Fonte: Mundo