Netflix enfrenta queda no engajamento de usuários e tempo de uso
Os assinantes da Netflix estão consumindo menos conteúdos e abrindo o aplicativo com menor frequência mensal, segundo informações obtidas junto a fontes próximas ao assunto. Esse cenário acende um alerta sobre o engajamento na empresa de entretenimento mais valiosa do mundo.
Queda nas métricas de engajamento
A companhia utiliza uma métrica própria chamada QPD, que significa dias de reprodução qualificados, para monitorar a constância de uso da ferramenta. Os dados mostram que os clientes têm deixado de abrir o aplicativo em vários dias do mês, um hábito diferente do registrado em anos anteriores.
Embora o tempo total de exibição tenha apresentado um pequeno avanço percentual durante o primeiro semestre, tal alta ocorreu apenas devido à expansão da base total de assinantes. Analisando o comportamento de forma individual, cada usuário tem dedicado menos tempo à plataforma.
Impactos da restrição de senhas e concorrência
A diretoria da empresa tem demonstrado preocupação com essa retração, iniciada após o bloqueio ao compartilhamento de senhas no ano de 2022. No início, a cúpula executiva acreditava em um efeito passageiro, mas a persistência da tendência gerou o temor de que os consumidores estejam enxergando menor valor no catálogo ou migrando para concorrentes.
O co-CEO Ted Sarandos admitiu a situação durante teleconferência com analistas ao declarar que a audiência, especialmente nos EUA, “simplesmente não está crescendo tão rápido quanto poderia ou quanto goustaríamos”.
Desempenho financeiro e reestruturação
Apesar da retração no uso diário, a taxa de cancelamento nos Estados Unidos permaneceu estável em 2%, mantendo-se como a melhor referência do setor de acordo com levantamento da Antenna. Os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters reforçaram que o modelo de negócios continua saudável fora do território americano.
“Duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo”, destacou Peters em reunião interna recente com funcionários. “Temos um negócio invejável, em crescimento e lucrativo. E, ao mesmo tempo, sabemos que ainda há mais trabalho a fazer para impulsionar um crescimento maior.”
Para contornar o momento desafiador, que inclui uma queda de cerca de 29% no valor das ações neste ano e desaceleração na receita, a companhia promoveu alterações estruturais na liderança e reduziu o quadro de colaboradores, buscando retomar o ritmo de crescimento por meio de novas apostas em esportes ao vivo, podcasts e expansão do orçamento de programação.
Fonte: Folha - Mercado