Campanha de lula aponta boicote no transporte público em capitais
A cúpula da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) denunciou um suposto boicote coordenado na frota de ônibus de capitais administradas por opositores durante o segundo turno das eleições. A denúncia ganhou força com registros de longas filas, coletivos parados em garagens e demora na circulação em cidades como São Paulo e Salvador, motivando uma decisão urgente do Supremo Tribunal Federal para estender o horário de votação em todo o país.
H2 Acusações de interferência eleitoral e crime
O coordenador da campanha e senador Camilo Santana afirmou que a redução de veículos afetou diretamente o direito dos eleitores.
“Houve um boicote, claramente, nas capitais, principalmente no Nordeste, que são oposições aos governadores, como Salvador [Bahia] e São Luís [Maranhão]. Boicotaram o transporte público. Isso não existe numa democracia. O povo tem direito de escolher”, declarou.
Para o parlamentar, a intervenção da Justiça chegou tardiamente.
“A decisão [de prorrogar a votação em duas horas] é para garantir que os pessoas possam votar. O problema é que saiu depois que elas estavam fechadas. Em muitas sessões, estão cortando o direito de as pessoas votarem”, disse, acrescentando que a equipe jurídica iria avaliar os impactos.
Santana apontou nominalmente gestores como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmando que a situação compromete a lisura do pleito e a imagem externa da democracia brasileira.
Na mesma linha, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou a ocorrência como uma infração grave.
“É grave o que aconteceu em relação ao transporte no Brasil inteiro. Aqui em São Paulo e na Bahia está caracterizado descumprimento da legislação. Nos outros estados estamos apurando ainda. Mas São Paulo e Bahia descumpriram a legislação. O que é grave, porque quem precisa de transporte público, as pesquisas mostram, é o nosso eleitorado. Isso significa interferir diretamente no processo eleitoral. Só reafirma aquilo que nós enfrentamos a eleição inteira: manipulação das big techs. Na reta final, infelizmente, a gente constata isso”, declarou.
Ele reforçou que a conduta dos prefeitos configura crime eleitoral.
“A lei existe para ser cumprida. Quando a legislação estabelece a garantia de direito de transporte ao eleitor, penso que ela deve ser cumprida. Quem descumpre a lei está cometendo um crime e está interferindo no processo eleitoral”, disse.
H3 Resposta das prefeituras e caos nos terminais
Em contrapartida, por meio de mensagem enviada à imprensa, o prefeito Ricardo Nunes defendeu a gestão municipal e garantiu que a oferta de coletivos na capital paulista superava a demanda real, embora não tenha divulgado estatísticas oficiais.
“Nenhum eleitor está sem atendimento na cidade”, afirmou.
Apesar da negativa, passageiros enfrentaram transtornos severos em diversos pontos de São Paulo. No Terminal Varginha, na zona sul, eleitores relataram espera de até três horas. Houve registros de ônibus estacionados em garagens e ruas da zona norte, além de moradores ilhados pela chuva na Estrada M’Boi Mirim e no Jardim Ângela. Diante da escassez de transporte, até mesmo civis decidiram usar carros particulares para oferecer caronas solidárias a quem tentava chegar aos locais de votação.
H2 Intervenção do STF e prorrogação da votação
Diante do cenário caótico e de uma petição de urgência protocolada pela coligação petista — que apontava problemas em ao menos nove estados —, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou a extensão do horário de encerramento da votação até as 19h (horário de Brasília) em todas as seções eleitorais do país. A campanha adversária de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também havia pedido prorrogação devido a fortes chuvas em municípios de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.
Fonte: G1 - Política