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Caderno Mercado

Inflação de alimentos na gestão Bolsonaro foi o dobro da registada no governo Lula, aponta levantamento

Inflação de alimentos na gestão Bolsonaro foi o dobro da registada no governo Lula, aponta levantamento

A alta no preço dos alimentos ganhou destaque nas discussões políticas, figurando recentemente nos debates eleitorais transmitidos pela TV Bandeirantes.

Comparativo entre gestões

Dados levantados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) indicam que o encarecimento da comida afetou de maneira mais intensa os moradores da capital paulista durante a gestão de Jair Bolsonaro em contraponto ao mandato atual de Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre janeiro de 2019 e dezembro de 2022, sob o comando de Bolsonaro, a alta acumulada nos mantimentos atingiu 56,6%. Já no período de janeiro de 2023 até setembro do mesmo ano, na administração Lula, o índice registrou 16,7%. Contudo, com a retomada recente no custo da alimentação, a projeção indica um acréscimo de pelo menos 6% até o encerramento do período, o que elevaria a taxa do governo petista para 23,7%. Dessa forma, a média mensal de inflação alimentar na gestão anterior ficou em 0,94%, dobrando o patamar de 0,44% verificado na atual.

Impactos externos e conflitos globais

Fatores internacionais influenciaram fortemente as duas administrações, gerando desequilíbrios nos custos operacionais, logísticos e na cadeia de suprimentos. Essa tendência reflete relatórios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que apontaram forte aceleração nos mercados globais em 2022 e 2026.

Em 24 de fevereiro de 2022, a invasão da Rússia à Ucrânia desestabilizou o mercado mundial de grãos, visto que as nações envolvidas respondem por grande parte da produção de trigo, milho, girassol e óleos vegetais, além do fornecimento russo de fertilizantes. O cenário internacional na época de Bolsonaro também enfrentou as paralisações comerciais provocadas pela pandemia de Covid-19.

Posteriormente, em 28 de fevereiro de 2026, bombardeios liderados por Estados Unidos e Israel atingiram o Irã, impactando o comércio no Oriente Médio e gerando novos reflexos econômicos para o Brasil.

O preço da carne e dos itens essenciais

Durante a gestão de Lula, a promessa de campanha envolvendo o acesso à carne vermelha tornou-se símbolo político. Até setembro, o corte bovino acumulou alta de 22%, superando a inflação média geral da época, enquanto no governo anterior a mesma carne disparou 52%. No acumulado geral para o consumidor, o encarecimento da carne bovina foi de 67% entre 2019 e 2022, contra 27% de 2023 até setembro.

Nos anos de Bolsonaro, os maiores vilões da cesta básica foram cebola, batata, feijão, óleo de soja, fubá e café em pó, com produtos dobrando de valor e disparadas expressivas, a exemplo da batata (189%) e do óleo de soja (164%).

No governo atual, as pressões recaíram principalmente sobre o café, leite, hortaliças, feijão e alimentação fora do domicílio. O café encareceu 48% e o leite longa vida subiu 24%. O arroz, com alta acumulada de 11% na gestão petista, apresentou nova aceleração de 5,5% apenas nos trinta dias mais recentes, conforme os registros da Fipe.

Fonte: Folha - Mercado