Eleições aceleram contratos de galpões industriais no Brasil
A taxa de vacância dos galpões industriais de alto padrão no país recuou para 4,9% no terceiro trimestre de 2026, atingindo um patamar mínimo histórico. O dado foi divulgado pela JLL, consultoria especializada no mercado imobiliário comercial, que aponta uma influência direta do cenário político nos negócios.
A corrida por novos espaços corporativos Empresas têm adiantado a formalização de novos acordos para se protegerem de possíveis alterações regulatórias e fiscais, a exemplo de mudanças no desenho da reforma tributária que encareçam os custos operacionais. A disputa por localizações privilegiadas nas proximidades dos grandes centros urbanos também pressiona os valores cobrados pelas locações.
Segundo Andé Romano, gerente da Divisão Industrial e Logística da JLL, o governo atual e a oposição têm visões distintas sobre as mudanças nos impostos, e os clientes correm para garantir o que já está estabelecido. Ele cita ainda projeções de mudança na taxa de juros, que podem elevar o preço dos imóveis e, por consequência, dos aluguéis.
O executivo vê nisso um “sinal de maturação do mercado”. Os inquilinos percebem que o preço sobe a cada trimestre e que não vai baixar tão cedo, então travam o valor atual. “Cada trimestre parece que a gente chegou num novo cume”, diz. Para os proprietários, segundo ele, “houve o melhor dos mundos”: todo o estoque novo foi alugado, parte do antigo também, a preços maiores.
Valorização e concentração geográfica O preço médio pedido passou de R$ 30,4 mil para R$ 35,2 mil por metro quadrado, o que representa um salto de 16% na comparação com o trimestre imediatamente anterior e alta de 12% em um período de 12 meses, conforme aponta Rafael Picerni, analista de Pesquisa e Estratégia da JLL. Do volume total de imóveis entregues no período, 80% já contavam com ocupação garantida.
O inventário nacional de galpões soma atualmente 40.202.545 metros quadrados. D este total, o estado de São Paulo concentra 49,9% da área total, além de responder por 61,5% de todo o novo estoque e por 59,7% da absorção líquida do mercado. Em território paulista, a taxa de vacância está em 4,4% e o preço médio pedido atinge R$ 43,4 por metro quadrado.
Fora do eixo paulista, Minas Gerais registra vacância de 3,4% e preço de R$ 32,4 mil o m², enquanto o Rio de Janeiro apresenta taxa de 7,7% de imóveis vagos e preço médio de R$ 34,5 mil por metro quadrado.
Impacto do e-commerce e expansão do varejo O setor de comércio eletrônico e o varejo tradicional continuam liderando as maiores operações de locação. De acordo com o analista Rafael Picerni, o Mercado Livre, responsável por 30% da absorção, e a Shopee, com 12%, respondem juntos por 42% de toda a área absorvida no trimestre. O Mercado Livre ocupa sozinho 3.755.000 metros quadrados e possui 759 mil m² pré-locados espalhados por sete estados brasileiros.
Por sua vez, a Shopee ampliou sua presença com mais 600 mil metros quadrados adicionados ao longo de 2026. “Se tirássemos as duas empresas, talvez não estivessemos falando em recorde”, diz.
Santa Catarina como polo industrial Enquanto o comércio digital domina grande parte dos espaços, a indústria tradicional enfrenta maiores barreiras logísticas. Com a expansão agressiva do e-commerce, diversas fábricas têm lidado com pedidos inéditos de reajuste nos valores dos aluguéis.
Diante desse cenário desafiador para o setor produtivo, “Santa Catarina virou um refúgio da indústria”, afirma Romano, citando incentivos fiscais, portos que movimentam contêineres da China e mão de obra qualificada.
Atualmente, o território catarinense apresenta taxa de vacância de 9,7%, preço de R$ 29,8 mil o m² e detém o terceiro maior volume de novos estoques do país, totalizando 71.460 m², ficando atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. A expectativa da consultoria é de que novos empreendimentos sejam entregues nos próximos semestres para atender à demanda reprimida.
Fonte: Folha - Mercado