Federal Reserve mantém taxa de juros dos EUA no patamar de 3,75% a 4%
O Federal Reserve (Fed) optou por manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos inalterada na faixa de 3,75% a 4% ao ano. O patamar, que representa o nível mais alto desde outubro de 2025, foi anunciado nesta quarta-feira (28) e veio em total acordo com o que previa o mercado financeiro internacional.
Contexto político e econômico
A determinação do banco central norte-americano surge a poucos dias das eleições legislativas de meio de mandato, agendadas para o dia 3 de novembro, responsáveis por definir o controle do Congresso. O pleito se desenrola em um cenário de insatisfação popular generalizada com o custo de vida, o que gera desgaste para a gestão de Donald Trump.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) pontuou em comunicado oficial que a economia do país continua em expansão vigorosa. Segundo o colegiado, “os gastos domésticos têm se mostrado resilientes”, embora o grau de incerteza siga elevado, “em parte, devido a acontecimentos geopolíticos”.
Posicionamento da diretoria e divergências
A deliberação desta quarta-feira não teve unanimidade entre os dirigentes da instituição monetária. A diretora do Fed Lisa Cook e a presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack, manifestaram votos contrários à manutenção e defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual na taxa.
Em entrevista coletiva concedida após o anúncio, o presidente do Fed, Kevin Warsh, enfatizou o compromisso de reconduzir a inflação à meta oficial de 2% e pregou cautela na análise de novos indicadores. Questionado a respeito de uma possível alta nos juros já no mês de dezembro, o dirigente afirmou que o combate à inflação não depende de uma data específica nem de um único indicador.
“Controlar a inflação não é uma questão de escolher uma data específica no calendário. Da mesma forma, não se trata de um dado isolado”, afirmou Warsh. O chefe do BC americano acrescentou que “há muita coisa acontecendo no mundo, e meus colegas e eu estamos atentos a isso”.
Warsh também ponderou que a estabilidade de preços ainda não foi totalmente atingida, embora os trabalhos avancem nesse sentido. “Ainda não alcançamos a estabilidade dos preços, mas estamos trabalhando para isso”, declarou. Ele estimou ainda que a economia dos EUA tenha registrado crescimento superior a 3% no terceiro trimestre, impulsionada pelo consumo e por investimentos corporativos.
Impactos no cenário internacional e reflexos no Brasil
A manutenção dos juros norte-americanos em patamares elevados produz efeitos diretos sobre a economia brasileira. Com taxas atraentes nos títulos da dívida pública dos EUA, os chamados Treasuries, investidores estrangeiros tendem a direcionar recursos para o mercado americano, o que fortalece a cotação do dólar globalmente.
Esse fluxo cambial acaba reduzindo o volume de capital estrangeiro direcionado ao Brasil, o que pressiona a desvalorização do real frente à moeda americana. Como consequência, o encarecimento do dólar alimenta a inflação interna e fortalece as pressões para que o Banco Central do Brasil mantenha a taxa Selic em patamares elevados por um período mais prolongado.
Fonte: G1 Economia