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Caderno Mercado

Super-ricos poluem mais e lucram com desastres do clima, diz Oxfam

Super-ricos poluem mais e lucram com desastres do clima, diz Oxfam

A fatia de 0,1% mais rica da população global — equivalente a 8 milhões de pessoas — é responsável por um volume de poluição por carbono superior ao gerado por 3,5 bilhões de indivíduos que integram a parcela mais pobre do planeta. Enquanto essa elite econômica impulsiona o aquecimento global com emissões desproporcionais, ela consegue se isolar das consequências e ainda obtém lucros financeiros com a destruição ambiental, ao passo que as populações vulneráveis enfrentam perdas de moradias, plantações e meios de subsistência.

Dados e previsões econômicas do estudo Os apontamentos fazem parte de um levantamento divulgado pela Oxfam antes da realização da COP31, conferência climática da ONU marcada para novembro de 2026 na Turquia. O documento destaca que as emissões provenientes exclusivamente do grupo que forma 1% da população mundial provocarão quase US$ 53 trilhões em prejuízos econômicos até o ano de 2050, período em que até 1 bilhão de pessoas poderão ser forçadas a migrar devido à crise do clima, principalmente em regiões do Sul Global.

“A crise climática é frequentemente descrita como um desafio humano compartilhado. Mas não é. Aqueles que menos contribuíram para causá-la estão perdendo suas casas, suas colheitas e, cada vez mais, suas vidas”, afirmou Amitabh Behar, diretor executivo internacional da Oxfam, em nota.

Impactos letais das ondas de calor A pesquisa demonstra que uma pessoa pertencente ao grupo de 0,1% com maior renda gerou um impacto quase 400 vezes maior nas atuais ondas de calor extremo em comparação a alguém situado entre os 50% mais pobres. Além disso, as projeções apontam que as emissões de apenas um ano geradas pelo 1% mais rico resultarão em 1,9 milhão de mortes adicionais ligadas ao calor, sendo que 78% desses óbitos ocorrerão em nações de baixa e média-baixa renda, territórios que respondem por meros 8% das emissões globais.

Lucro com a destruição e o índice da Oxfam O relatório também adverte que os desastres ambientais têm sido utilizados como pretexto para avançar com agendas que acentuam as disparidades sociais, como privatizações de serviços públicos, desregulamentações, concessões de benefícios fiscais aos bilionários e expropriações de terras. Para mapear essa dinâmica, a organização criou o índice Destruir e Reconstruir (Destroy & Rebuild Index), que identificou 217 companhias capazes de faturar ao mesmo tempo com atividades que aceleram o colapso do clima e com setores voltados à resposta, recuperação e reconstrução após catástrofes.

“Enquanto isso, os super-ricos podem comprar sua segurança, refugiando-se em bunkers subterrâneos de alta tecnologia, contratando equipes privadas de combate a incêndios e adquirindo seguros privados, além de lucrarem ativamente com as consequências da poluição que geram”, acrescentou Behar.

“Isso não é uma tragédia de destino compartilhado; é um crime de desigualdade extrema”, concluiu o diretor da Oxfam.

Propostas da entidade para o futuro Diante desse cenário, a organização não governamental estruturou um conjunto de recomendações para mitigar os danos e conter a exploração comercial dos eventos extremos. Entre as propostas estão a taxação de grandes fortunas, rendas e empresas de combustíveis fósseis, além de impostos mais pesados sobre produtos de luxo poluentes, como jatos particulares. A instituição também defende a triplicação dos recursos para adaptação climática destinados ao Sul Global até 2035, priorizando aportes públicos e doações em vez de empréstimos, e pede o fim da exploração corporativa em situações de emergência.

“Os super-ricos estão incendiando o planeta e depois cobrando do resto de nós pelos extintores”, afirmou Behar. “Eles lucram com a poluição. Eles lucram com o desastre. E lucram novamente com a reconstrução.”

Fonte: Agencia Brasil