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Caderno Mercado

Flávio Bolsonaro descumpre ordem de Moraes e não entrega passaporte

Flávio Bolsonaro descumpre ordem de Moraes e não entrega passaporte

O senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) descumpriu a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e optou por não entregar seu passaporte à Polícia Federal. A decisão ocorre em meio a suspeitas de que o político teria deixado o país rumo aos Estados Unidos, dias após seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, defender publicamente que ele saísse do território nacional em caso de derrota eleitoral.

Investigações no Supremo Tribunal Federal

A determinação para a entrega dos documentos foi emitida por Alexandre de Moraes no âmbito de um inquérito que apura o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, por suposta lavagem de dinheiro ligada a empresas de apostas e plataformas de pagamento. O nome do senador entrou no radar dos investigadores após a análise de dados extraídos do celular de Tomaz, apreendido durante apurações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Como o parlamentar possui foro privilegiado, o caso tramita diretamente no STF, prerrogativa que será encerrada ao término de seu mandato no final do ano. A Polícia Federal descobriu mensagens eletrônicas apontando que o senador foi registrado como usuário principal de uma conta bancária pertencente a uma empresa do advogado investigado.

Suspeitas de evasão de divisas e corrupção

Além do caso envolvendo o advogado, o ex-candidato é alvo de outra investigação sobre possíveis desvios de recursos enviados para os Estados Unidos. A apuração analisa pagamentos realizados pelo banqueiro Daniel Vorcaro — atualmente preso e acusado de fraudes bilionárias — para financiar a produção do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro.

Os investigadores suspeitam de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A principal linha investigativa sugere que os montantes solicitados por Flávio a Vorcaro possam ter sido remetidos ao exterior com o objetivo de sustentar Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos e foi condenado pelo STF por tentar interferir no julgamento do pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

Alerta da Polícia Federal e rota de fuga

A decisão de apreender os documentos do senador foi motivada por um relatório da Polícia Federal que apontou risco iminente de fuga. No pedido enviado a Alexandre de Moraes, a corporação destacou a entrevista concedida por Eduardo Bolsonaro a um podcast norte-americano na última sexta-feira (23).

“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza”, disse Eduardo Bolsonaro.

No mesmo documento, a corporação lembrou a condenação recente de Eduardo por coação no curso do processo e ressaltou que a declaração “não pode ser examinado de forma isolada”, pontuando também que Willer Tomaz está fora do Brasil desde o dia 25 de agosto.

Informações divulgadas pelo portal argentino Infobae indicam que o senador teria deixado o território brasileiro utilizando apenas o documento de identidade pela fronteira com Puerto Iguazú, com a intenção de embarcar em uma aeronave com destino aos Estados Unidos. Dados de monitoramento de voos registraram a chegada de um avião à cidade argentina na noite de segunda-feira, embora não haja confirmação oficial sobre a presença do parlamentar a bordo ou eventuais conexões.

Posicionamento do parlamentar

Um dia após o encerramento do pleito, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes sociais negando qualquer planejamento para abandonar o país e classificando as medidas judiciais como perseguição.

“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar”, afirmou.

Fonte: G1 - Política