Transporte público de São Paulo tem caos e filas em dia de eleição
O sistema de transporte coletivo de São Paulo registra um cenário caótico neste domingo (25), data do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Eleitores enfrentam terminais lotados, atrasos expressivos e coletivos parados em várias regiões da capital paulista.
Transtornos e solidariedade nos terminais
No Terminal Varginha, situado no extremo sul da cidade, passageiros relataram ter esperado até três horas por um veículo. Situações semelhantes de superlotação e longas filas foram observadas em Santana, na Zona Norte, e no Jardim Ângela, na Zona Sul. Na Vila Zilda, também na Zona Norte, houve registros de motoristas que se recusaram a transportar os moradores até os locais de votação.
A situação crítica mobilizou iniciativas populares. Em meio à chuva que caía na capital, um casal que passava pelo entorno do Terminal Santana decidiu ajudar eleitores oferecendo caronas voluntárias. Uma pessoa que preferiu não se identificar relatou que a atitude surgiu após o contato com a realidade das ruas.
“Quando chegamos próximos ao Terminal Santana, vimos muitas filas e ônibus parados, sem prestar serviço. Passamos por volta das 14h30”, relatou.
Apesar da boa vontade, o medo acabou dificultando o socorro aos eleitores. O casal tentou auxiliar uma senhora que precisava votar no bairro Jaçanã, mas percebeu receio por parte das pessoas.
“Minha esposa saiu pelo terminal, perguntamos a muita gente, mas o receio de aceitar ficou nítido”, afirmou.
Na Estrada M’Boi Mirim, passageiros também precisaram aguardar sob chuva por mais de 40 minutos nos pontos de ônibus durante o início da tarde.
Imbróglio judicial e denúncia contra a prefeitura
Diante dos transtornos, o Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou uma denúncia junto à Justiça Eleitoral alegando que a Prefeitura de São Paulo estaria circulando com apenas 60% da frota regular. A denúncia aponta o descumprimento de uma determinação judicial emitida no sábado (24), que exigia 100% dos veículos em operação, nos mesmos moldes de um dia útil.
A ordem da Justiça previa multa pessoal de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, caso a frota integral não fosse disponibilizada. Os problemas de mobilidade foram reportados por moradores em bairros como Jaraguá, na Zona Norte, além da Avenida Ibirapuera e da Estrada do M’Boi Mirim, na Zona Sul.
Posicionamento oficial da SPTrans
Procurada para esclarecer os fatos, a administração municipal se manifestou por meio de nota oficial detalhando os prazos e os desafios enfrentados para cumprir a ordem judicial.
“A SPTrans informa que foi notificada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) às 13h10 do sábado 24 de outubro sobre a determinação de colocar 100% da frota de ônibus municipais em operação neste domingo (25), com menos de 12 horas de antecedência em relação ao início da operação.
Imediatamente após receber a notificação, às 13h32, a SPTrans agiu de forma diligente e proativa, comunicando todas as concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operacionais da cidade e transmitindo a determinação judicial para adoção das providências necessárias ao seu cumprimento. A atuação da empresa foi pautada pela agilidade, pela transparência e pelo compromisso com a prestação do serviço público de transporte.
É importante considerar, contudo, que a ampliação da frota em prazo tão reduzido impõe desafios operacionais concretos. Os operadores relataram dificuldades para readequar, de forma imediata, escalas de trabalho, jornadas e rotinas previamente organizadas. A programação dos profissionais também havia considerado o direito à folga e a organização necessária para assegurar o exercício do voto, o que torna ainda mais complexa uma alteração dessa magnitude na véspera da eleição.
O planejamento originalmente estabelecido pela SPTrans foi elaborado com base em critérios técnicos e em dados efetivos de demanda. No domingo anterior, aproximadamente 6,9 mil ônibus estiveram em operação, oferecendo cerca de 8 milhões de lugares e transportando 3,4 milhões de passageiros. Esses indicadores subsidiaram a definição de uma oferta de transporte compatível com o comportamento observado da demanda.
Cabe destacar, ainda, que o plano operacional havia sido encaminhado previamente aos órgãos eleitorais competentes, sem questionamentos registrados até então, e foi adotado no primeiro turno. A programação foi divulgada com transparência, por meio de comunicados à população e aos órgãos responsáveis.
A SPTrans respeita as determinações da Justiça Eleitoral e atua para viabilizar o atendimento à população, observadas as condições operacionais necessárias à execução do serviço. A necessidade de alteração de um planejamento previamente estruturado, quando comunicada com antecedência inferior a 12 horas, deve ser analisada à luz das condições concretas de mobilização de veículos e profissionais, sem desconsiderar os impactos sobre a organização do trabalho e o direito ao voto dos trabalhadores.
Ressalta-se que a tarifa de ônibus municipais permanece gratuita aos domingos, conforme a política do Domingão Tarifa Zero, em vigor desde dezembro de 2023, garantindo à população o acesso ao transporte público sem cobrança de passagem.
A SPTrans permanece monitorando a operação e a disponibilidade da frota, atuando junto às concessionárias para assegurar o atendimento aos passageiros e contribuir para que todos possam chegar aos seus destinos, inclusive aos locais de votação, com segurança e eficiência.”
Fonte: G1 - Política