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Caderno Mercado

Investigado no STF, advogado tem outras cinco mansões em Angra

Investigado no STF, advogado tem outras cinco mansões em Angra

O advogado Willer Tomaz, alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal ao lado do senador Flávio Bolsonaro por suposta lavagem de dinheiro, possui outras cinco propriedades em ilhas de Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense, além do imóvel que gerou um embate com o atacante Richarlison.

Movimentações imobiliárias e conexões políticas Quase todas as aquisições ocorreram entre 2021 e 2022. O período coincide com a apresentação de um projeto de lei por Flávio Bolsonaro no Senado para incentivar negócios na região, o que incluiria a municipalização de unidades de conservação federais e estaduais para flexibilizar normas de exploração econômica.

Na mesma época, o senador atuou como relator da chamada PEC das Praias, que propõe a privatização de ilhas marítimas atualmente sob domínio da União. As iniciativas legislativas seguem em tramitação. Os planos para transformar a região remetem à gestão de Jair Bolsonaro, que em maio de 2019 declarou: “O nosso estado merece ter uma Cancún. E nós poderemos tê-la. E estamos trabalhando para a região de Angra. Depende de um decreto presidencial. Porque a Estação Ecológica de Tamoios está demais. Não preserva absolutamente nada e faz de uma área rica, que pode trazer bilhões de reais, por ano, em turismo, parada por falta de uma visão mais objetiva, mais progressista nessa questão”.

Detalhes do patrimônio em ilhas Conforme dados obtidos em cartórios e sistemas da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), órgão responsável pela gestão desses bens públicos federais, a maior parte das transações foi feita por meio da WT Administração de Imóveis e Bens. Entre os bens estão quatro terrenos na Ilha Comprida — incluindo o disputado com o jogador — e uma propriedade na Ilha do José André, comprada em 2008 pela Friponor Brasil Turismo.

Tomaz também detém cotas de uma sexta residência na Ilha do Jorge, administrada pela Prime You, empresa voltada para a gestão de bens de luxo compartilhados. Sobre essa cota, adquirida em 2022, Tomaz declarou que nunca teve “qualquer relação pessoal, comercial ou societária” com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-sócio da companhia.

O embate com o jogador Richarlison A atenção pública sobre os investimentos cresceu após o atacante do Tottenham acusar o senador de interferência na disputa por um imóvel na Ilha Comprida. Segundo o atleta, que afirmava investir na área desde 2020 por meio da empresa Sport 70, Flávio visitou o local e demonstrou interesse, aliando-se posteriormente a Tomaz para obter os direitos sobre o espaço.

Enquanto o pedido de regularização da Sport 70 na SPU não avançou, a solicitação feita por terceiros ligada a Tomaz teve tramitação célere em 2022, resultando na transferência do direito de ocupação. Questionado sobre a controvérsia, Tomaz argumenta que o jogador “pagou a posseiros” e não à verdadeira proprietária, sustentando possuir registros e decisões judiciais favoráveis.

Planos de resort e o contexto das propostas Na Ilha do José André, situada na Área de Proteção Ambiental de Tamoios, o projeto previa a construção de um empreendimento de alto padrão com heliponto e infraestrutura turística. O pedido ao órgão ambiental estadual ocorreu em março de 2026, no mesmo dia em que o então governador Cláudio Castro assinou decreto revogando planos de manejo de áreas protegidas — medida posteriormente derrubada pela Justiça. Cláudio Castro negou qualquer articulação prévia com o advogado.

As propostas legislativas ligadas ao grupo também incluem a criação de uma região integrada de desenvolvimento sustentável em Angra, Mangaratiba e Paraty, proposta em outubro de 2021. Na justificativa, Flávio Bolsonaro pontuou: “Esse cenário paradisíaco não deixa nada a desejar em relação aos destinos turísticos similares mais profundos do mundo, como por exemplo Tailândia, Filipinas, Cancun, Grécia, Jamaica, Bahamas, Fiji ou República Dominicana”.

Por sua vez, a SPU manifestou oposição formal à privatização das áreas por meio de nota técnica, alertando para riscos jurídicos relacionados à grilagem na costa brasileira. Procurados pela reportagem, nem o advogado nem o senador se manifestaram sobre as novas revelações patrimoniais.

Fonte: G1 - Política