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Caderno Mercado

Bayer vence julgamento nos Estados Unidos sobre acusações ligando Roundup ao câncer

Bayer vence julgamento nos Estados Unidos sobre acusações ligando Roundup ao câncer

A Bayer obteve uma vitória judicial importante nesta quinta-feira (29), quando um júri em St. Louis decidiu por unanimidade a favor da Monsanto, controlada pela companhia, em um processo movido por três mulheres. As autoras alegavam que o herbicida Roundup, à base de glifosato, havia provocado o desenvolvimento de câncer.

Impacto no mercado financeiro Com o resultado, as ações da Bayer registraram alta de 4%, atingindo a maior cotação em um mês no horário de negociação em Brasília. A decisão serviu como um teste crucial para a continuidade das ações judiciais contra o produto, após um entendimento recente da Suprema Corte dos Estados Unidos que restringiu os argumentos jurídicos aplicáveis nesses casos.

Visita de especialistas ao caso Markus Manns, gestor de portfólio da Union Investment, com sede em Frankfurt, afirmou que o veredicto foi uma das vitórias judiciais mais importantes da empresa.

“Os autores das ações não conseguiram comprovar, em sua nova estratégia jurídica, que a Bayer ignorava os riscos já na fase de desenvolvimento do glifosato”, disse.

Bill Dodero, diretor jurídico da Bayer nos Estados Unidos e chefe global de contencioso, avaliou que o resultado sinaliza dificuldades para futuras contestações.

“Este veredicto deve enviar um sinal claro de que os autores que desejam prosseguir com suas ações na Justiça após a decisão no caso Durnell enfrentarão desafios significativos, tanto para demonstrar que têm reivindicações juridicamente válidas quanto para apresentar as provas necessárias para sustentá-las em tribunal”, disse Dodero em comunicado.

Histórico do processo e contexto Theresa Aretino, Cynthia Fernandez e Betty Larkin abriram o processo contra a unidade da Bayer em 2020. Elas relataram uso regular do produto e posterior diagnóstico de linfoma não Hodgkin, apontando falhas de fabricação e negligência comercial. Cynthia Fernandez faleceu antes do início do julgamento, e nenhuma das três integra a proposta de acordo de US$ 7,25 bilhões que a empresa negocia em um tribunal do Missouri para solucionar dezenas de milhares de litígios pendentes.

A Bayer sustenta que décadas de pesquisas atestam a segurança do glifosato, apontando que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) considera o ingrediente seguro e não exige alertas de câncer nos rótulos. Em contrapartida, a controvérsia persiste desde que a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc) classificou a substância como “provavelmente cancerígeno” para humanos em 2015, posição rejeitada pela companhia farmacêutica e agrícola.

Fonte: Folha - Mercado