Disputa judicial por mansão de luxo envolve Richarlison e Flávio Bolsonaro
Uma propriedade de alto padrão situada em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, tornou-se o epicentro de um conflito envolvendo o atacante Richarlison, da seleção brasileira e do Tottenham, e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O casarão, que conta com uma cachoeira particular e fica nas proximidades do aeroporto local, é alvo de uma intensa disputa jurídica desde o ano de 2020.
A versão apresentada por Richarlison
De acordo com o atleta, ele e um sócio adquiriram a mansão localizada na ilha Comprida em 2020, em uma transação de R$ 10 milhões. Como o terreno pertence à União, o negócio envolveu a compra do direito de ocupação. O jogador relata ter pago os antigos posseiros, indenizado moradores locais e aplicado recursos em reformas e segurança contra invasões.
Logo após a aquisição, interessados começaram a sondar o imóvel, incluindo Flávio Bolsonaro, segundo o relato do atacante. Em julho de 2020, o parlamentar esteve na ilha pela primeira vez. Em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, o jogador e seu parceiro comercial foram surpreendidos por um mandado de reintegração de posse ajuizado pela empresa M Locadora e representado por um advogado associado a Willer Tomaz.
“Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”, afirmou o atleta.
O atacante também aponta que o advogado Willer Tomaz e Flávio protocolaram diretamente na SPU (Secretaria do Patrimônio da União) um pedido para regularizar o espaço em nome do senador. Em maio de 2022, uma liminar estabeleceu que o direito de uso pertencia a Willer. Vizinhos e o próprio jogador apontam que o parlamentar é quem frequenta o local com mais assiduidade.
O coletivo Derrubando Muros apresentou uma representação ao Ministério Público Federal para apurar o caso. “O pedido foi aceito em tempo recorde, Richarlison perdeu o imóvel, e a ilha passou a pertencer a Flávio Bolsonaro”, afirmou José Cesar Martins, coordenador do Derrubando Muros.
A defesa do advogado Willer Tomaz
Por sua vez, Willer sustenta que adquiriu os direitos sobre a área de forma legal e gastou R$ 5 milhões para sanar pendências fiscais, classificando os ocupantes anteriores como invasores. Ele desafiou o atleta a exibir documentos que atestassem seu vínculo com o bem. Em resposta, o jogador publicou um vídeo em suas redes sociais em 21 de agosto apresentando papéis da compra.
Willer Tomaz afirmou que os papéis exibidos por Richarlison “confirmam que o atacante pagou a posseiros, e não à proprietária de direito”.
“Até os valores divergem: no vídeo, fala em R$ 4,66 milhões, mas a Sport 70, empresa ligada a ele, declarou nos autos ter desembolsado R$ 2,6 milhões. Do outro lado, há escritura registrada, certidão da SPU e decisões favoráveis em todas as instâncias, inclusive no STJ, transitadas em julgado”, disse o advogado.
Posicionamento da defesa e relações políticas
Anteriormente, o senador negou irregularidades e declarou manter apenas laços de amizade com Willer Tomaz. “Fake news que eu esteja em litígio com Richarlison. A defesa dele me arrolou como testemunha numa disputa de imóvel no RJ, sem eu ter absolutamente nada a ver com o tema. Parabéns ao craque Richarlison pelo golaço e pela primeira vitória do Brasil na Copa do Mundo”, publicou Flávio em suas redes sociais em 2022, fazendo referência ao gol de Richarlison na estreia da seleção brasileira no Mundial do Qatar, contra a Sérvia, eleito o mais bonito do torneio.
Diante das suspeitas de uma sociedade oculta entre Willer e o parlamentar, ambos negaram qualquer irregularidade ou vínculo comercial, reforçando que a relação é estritamente de amizade.
Ao longo de duas décadas, Willer evoluiu de proprietário de uma loja de informática no Distrito Federal em 1999 para um empresário com atuação em setores como radiodifusão, precatórios, mineração, turismo e apostas online, além de parcerias com políticos como os senadores Dr. Hiran e Lobão Filho. A proximidade com Flávio começou em 2019, quando o advogado atuou na defesa do ex-ministro Marcelo Álvaro Antônio, e se consolidou nos registros públicos a partir da CPI da Covid em 2021.
Fonte: Folha Esportes