Justiça decreta o fim da recuperação judicial da Americanas
A Justiça do Rio de Janeiro decretou o encerramento do processo de recuperação judicial da Americanas, iniciado em janeiro de 2023 após a descoberta de um escândalo financeiro. A varejista comunicou ao mercado que todas as exigências do plano aceito por 91% dos credores foram devidamente cumpridas.
Desempenho financeiro e operação
No primeiro semestre de 2026, a empresa registrou um avanço de 9,3% nas vendas das unidades já abertas, acompanhado por ganhos de eficiência operacional que totalizaram R$ 500 milhões.
A solicitação para fechar o processo havia sido protocolada pela própria companhia em março. A determinação foi emitida pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, amparada por manifestações positivas tanto da Administração Judicial quanto do Ministério Público fluminense.
Posicionamento oficial
Em comunicado ao mercado, a empresa destacou seus próximos passos no setor comercial.
“Com a conclusão dessa etapa, a companhia segue comprometida com o crescimento de suas operações, o fortalecimento sustentável do seu modelo de negócio e o desenvolvimento da experiência de seus clientes”, afirmou a Americanas, em fato relevante.
Impacto no mercado financeiro
Refletindo o otimismo com a nova fase, as ações da marca encerraram a sessão com valorização de quase 7%, sendo negociadas a R$ 5,97.
Histórico da crise contábil
O escândalo veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a gestão revelou a existência de “inconsistências em lançamentos contábeis” avaliadas inicialmente em cerca de R$ 20 bilhões.
Logo após a revelação, Sergio Rial renunciou ao cargo de presidente executivo após ocupar a função por apenas nove dias, sucedendo Miguel Gutierrez.
O abalo provocou um pânico entre acionistas, resultando em uma desvalorização de quase 80% nos papéis da corporação em uma única sessão na bolsa de valores.
Durante uma teleconferência após sua saída, o ex-executivo detalhou a natureza do problema financeiro descoberto.
“A primeira grande conclusão é que não estamos falando de um número que está fora do balanço”, afirmou Rial.
“A questão é que ele não está registrado de forma apropriada ao longo dos últimos anos”, acrescentou.
Reestruturação e dívidas
Com o pedido formalizado em 19 de janeiro de 2023, os papéis foram deslistados da B3. A dívida global tratada no processo superava a marca de R$ 50 bilhões, sendo R$ 42 bilhões em débitos concursais passíveis de renegociação.
O plano de reestruturação contou com um aporte financeiro de R$ 12 bilhões realizado pelos acionistas de referência, o trio de bilionários formado por Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles.
Fonte: G1 Economia