Dólar sobe a R$ 5,50 com payroll dos EUA e temor com regulação de inteligência artificial
O dólar fechou em alta de 0,36% nesta sexta-feira (6), cotado a R$ 5,5082, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 1,39%, aos 168.498 pontos, em uma sessão marcada pela repercussão de dados econômicos internacionais e incertezas políticas locais.
Repercussão do payroll e cenário nos Estados Unidos
Na agenda do dia, investidores avaliaram o relatório de emprego dos EUA, o payroll, que mostrou uma criação de vagas acima do esperado em outubro. A taxa de desemprego também caiu para 4,1%, sugerindo que o mercado de trabalho americano se mantém resiliente e dando espaço para que o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) mantenha o foco no controle da inflação.
O mercado seguiu atento ao setor de tecnologia dos Estados Unidos, em meio a preocupações sobre os possíveis efeitos da maioria democrata no Congresso sobre a regulação do setor. Na quinta-feira (5), os papéis do setor registraram forte queda e pressionaram os principais índices de Wall Street. A preocupação é que a maioria democrata formada no Congresso após as eleições de meio de mandato traga novas regulações e limite o crescimento do setor.
O Nasdaq Composite, que concentra empresas de tecnologia, despencou 5,52%, para 24.315 pontos, na maior queda em um único dia desde abril de 2025. O S&P 500 recuou 4,36%, para 7.353,73 pontos, enquanto o Dow Jones caiu 3,44%, para 51.523,06 pontos. A onda de vendas eliminou cerca de US$ 3 trilhões (R$ 16,4 trilhões) em valor de mercado das empresas que compõem o S&P 500.
As chamadas “Sete Magníficas”, grupo que reúne algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como Nvidia, Meta, Alphabet e Microsoft, perderam aproximadamente US$ 800 bilhões (R$ 4,4 trilhões) em valor de mercado, montante superior ao Produto Interno Bruto (PIB) da Suécia. O Nasdaq também entrou no chamado território de correção, quando um índice acumula queda de pelo menos 10% em relação a um pico recente.
Impacto nas bolsas globais e Ásia
Nos EUA, os três principais índices de Wall Street fecharam mistos nesta sexta-feira, após as fortes perdas na véspera. O Dow Jones teve perdas de 0,46%, enquanto o S&P 500 subiu 0,32% e o Nasdaq Composite avançou 1,09%. Já na Europa, as bolsas locais fecharam em queda generalizada na sessão. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 1%. Entre os demais índices, o DAX, da Alemanha, caiu 1,92%, o CAC-40, da França, recuou 0,81% e o FTSE 100, do Reino Unido, perdeu 1,01%.
Na Ásia, as ações da China e de Hong Kong caíram nesta sexta-feira, à medida que uma queda generalizada no setor de tecnologia nos Estados Unidos se espalhou pela região e alimentou temores de que o boom da inteligência artificial esteja perdendo força. O SSEC, Índice de Xangai, teve queda de 1,10%, enquanto o CSI300 caiu 1,44%. Na Coreia do Sul, o Kospi encerrou com um recuo de 6,02%, após ter caído mais de 8% e acionado o circuit breaker na sessão. O Hang Seng, de Hong Kong, teve perdas de 1,27% e o Nikkei, do Japão, recuou 5,96%.
Cenário fiscal no Brasil e reformas
No Brasil, o quadro fiscal permaneceu no radar, com investidores e empresários pressionando por ajustes nas contas públicas e à espera de sinais sobre a política econômica do governo. Ontem, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não há “fórmula mágica” para a economia e que o governo Lula vai “manter compromissos fiscais” e os feitos durante a campanha eleitoral no plano social. A fala ocorreu após uma reunião com o presidente, ministros, ex-ministros e economistas.
A sexta-feira também foi de atenção à reforma tributária e ao fim da escala 6×1. Nesta semana, o governo sinalizou a intenção de regulamentar o fim da 6×1 e indicou a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas. Já na véspera, o governo publicou a Medida Provisória que estabelece as alíquotas do Imposto Seletivo, também conhecido como “imposto do pecado”, para 2027.
Fonte: G1 Economia