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Caderno Mercado

Uruguai volta a comprar carne de frango do Brasil após embargo sanitário

Uruguai volta a comprar carne de frango do Brasil após embargo sanitário

O governo do Uruguai voltou a autorizar a compra de carne de frango e derivados do Brasil, conforme comunicado divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Com a medida oficializada na última sexta-feira (6), os bloqueios comerciais motivados por focos da doença de Newcastle agora atingem exclusivamente o território catarinense.

Fim das barreiras em nível nacional

Antes da decisão uruguaia, nações como México e Malásia também haviam interrompido as aquisições de produtos avícolas de todo o país, mas já tinham revogado as proibições anteriormente. Desta forma, o governo brasileiro confirmou que não existem mais barreiras comerciais de alcance nacional em vigor com os parceiros internacionais.

Outros mercados importantes, a exemplo de China, Arábia Saudita e Chile, aplicaram sanções focadas estritamente em cargas enviadas a partir de solo catarinense. No caso do mercado chinês, a limitação regionalizada foi alcançada por meio de negociações lideradas pelo governo federal.

“Quando um país reconhece a regionalização, ele entende que uma ocorrência sanitária em determinado município não representa, necessariamente, um risco para a produção de todo o território brasileiro. Foi isso que conseguimos demonstrar aos nossos parceiros”, disse o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi.

Agilidade nas negociações internacionais

O titular da pasta, o ministro da Agricultura André de Paula, ressaltou que a queda das restrições de alcance nacional ocorreu em apenas 19 dias, contados a partir da primeira suspensão comercial. Para efeito de comparação, o ministério apontou que o Brasil levou 74 dias para reverter um cenário semelhante em 2024, após registros no Rio Grande do Sul.

“É uma diferença enorme e um resultado que merece ser comemorado. Não estamos falando apenas de números, mas de confiança, de credibilidade e da capacidade do Brasil de demonstrar que uma ocorrência sanitária localizada não precisa comprometer o comércio de todo o país”, disse o ministro.

Impacto econômico e avanço dos focos

Com os embargos limitados geograficamente a Santa Catarina, a retração estimada nas exportações brasileiras de aves será de aproximadamente 15 mil toneladas mensais, o que representa 3% do volume médio de 500 mil toneladas comercializadas por mês.

O primeiro caso da doença de Newcastle neste ciclo foi confirmado em 18 de outubro, em uma exploração comercial de perus situada no município catarinense de Nova Itaberaba. Na sequência, novas ocorrências foram identificadas em Coronel Freitas e Nova Erechim, situadas nas redondezas. Atualmente, o perímetro de restrição sanitária engloba essas três cidades e também o município de Águas Frias.

“Em cumprimento aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na área de saúde animal, o Mapa não autoriza a exportação de produtos provenientes da área de restrição”, disse a pasta.

Superada a fase de bloqueios gerais, a estratégia atual do governo brasileiro consiste em negociar a queda das barreiras aplicadas a todo o estado catarinense, buscando restringir o embargo sanitário unicamente aos quatro municípios afetados pelos focos da doença.

“Aos consumidores, o ministério reitera que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações”, disse o órgão.

Fonte: Folha - Mercado