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Caderno Mercado

Banco Central do Paraguai devolve fundos a correntistas do Ueno

Banco Central do Paraguai devolve fundos a correntistas do Ueno

O Banco Central do Paraguai (BCP) declarou neste sábado (7) que 1.196.000 correntistas do Banco Ueno tiveram seu dinheiro devolvido. Os fundos haviam sido bloqueados após o fechamento repentino do banco, uma situação que também afeta milhares de brasileiros residentes no país e trabalhadores de regiões de fronteira.

Situação econômica e ressarcimento O balanço foi apresentado durante uma coletiva de imprensa no Palácio López, após uma reunião de emergência entre o presidente interino Pedro Alliana, ministros da Economia e Finanças e a diretoria do BCP. No total, foi devolvido o equivalente a cerca de R$ 880 milhões, montante que saiu do Fundo de Garantia de Depósitos, reserva estratégica do Banco Central para cenários de intervenção.

O ministro da Economia e Finanças, Óscar Lovera, afirmou que o governo mobilizou todas as frentes para dar uma resposta rápida à crise. “Fomos instruídos a fazer o máximo esforço para tranquilizar os poupadores afetados”, declarou. O presidente interino do BCP, Pedro Acosta, ressaltou que a autarquia segue analisando alternativas para auxiliar depositantes com saldos acima do limite garantido.

Impacto nos aposentados e pensionistas A coletiva detalhou ainda o impacto sobre os beneficiários do Instituto de Seguridade Social (IPS). Segundo o presidente do órgão, Derlis León, o próximo pagamento mensal dos pensionistas será depositado normalmente em 17 de novembro. Cerca de 32.000 aposentados recebiam seus benefícios pelo Ueno, e os trâmites para transferir as contas para outros oito bancos locais estão sendo concluídos.

Origem da crise bancária O Ueno Bank, maior banco digital do país e principal emissor de cartões de crédito, possui cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos. A crise escalou quando o índice de solvência despencou para menos da metade do mínimo exigido, levando à intervenção do BCP e ao fechamento das agências, gerando protestos.

O Ministério Público pediu a prisão de oito pessoas, sendo 27 investigadas por suspeita de fraude e estelionato. Reguladores também apuravam se a instituição financiou indiretamente a venda de ativos de uma empresa do Grupo Vázquez, controlador do banco, o que a instituição negava.

Desdobramentos políticos e institucionais O escândalo gerou forte repercussão política. Carlos Carvallo renunciou à presidência do Banco Central em 3 de dezembro, e o então presidente Santiago Peña sofreu impeachment na sexta-feira (6), tendo sua prisão decretada logo depois. Apesar da gravidade, o governo e o BCP sustentam que o colapso foi um caso isolado sem risco sistêmico.

Fonte: G1 Economia