Novaya gazeta anuncia fim das atividades na rússia após forte pressão estatal
O renomado jornal russo Novaya Gazeta, considerado um dos pilares históricos da imprensa independente no país, comunicou nesta sexta-feira (30) o encerramento definitivo de suas atividades. De acordo com o editor-chefe Sergei Sokolov, a medida drástica foi tomada em decorrência da forte pressão exercida pelas autoridades russas contra a redação.
Declaração oficial sobre o fim do veículo
A decisão foi tornada pública por meio de um pronunciamento em vídeo. “Novaya Gazeta está deixando de existir”, afirmou Sokolov em uma declaração publicada no YouTube. “As autoridades russas, os serviços secretos russos, obrigaram a redação a encerrar seu trabalho”, acrescentou o editor-chefe.
Investigações e prisões na redação
O anúncio de encerramento acontece na sequência de uma série de ações repressivas direcionadas ao veículo e aos seus profissionais. No início do mês, o próprio Sokolov foi alvo de interrogatórios e teve sua residência revistada pelas autoridades. A ação policial ocorreu no contexto de uma investigação criminal instaurada contra o jornalista Oleg Rolduguin, que está preso desde o mês de abril.
Rolduguin enfrenta acusações formais relacionadas a “acesso ilícito a informações”, embora o governo não tenha tornado públicos maiores detalhes sobre o processo. Segundo informações divulgadas pela agência estatal de notícias RIA Novosti, o jornalista nega todas as acusações que lhe foram impostas.
Prazo final para o desligamento total
A equipe jornalística já tem data exata para cessar completamente a circulação e abandonar a sede em Moscou. “Mataram o Novaya Gazeta”, declarou Sokolov. As atividades serão encerradas em definitivo no dia 9 de novembro, data em que os servidores serão desligados e o escritório fechado. “Apagaremos as luzes da nossa casa, onde vivemos durante 30 anos. Desligaremos os servidores e vamos embora”, afirmou.
Censura e o histórico de perseguição
O cerco aos veículos de comunicação independentes na Rússia sofreu uma escalada drástica desde o início do conflito com a Ucrânia, em fevereiro de 2022. Desde então, o governo implementou severas restrições à cobertura jornalística do conflito e medidas estritas de censura, forçando diversos profissionais da imprensa a buscarem exílio fora do território russo.
Mesmo antes do anúncio atual, o Novaya Gazeta já havia reduzido consideravelmente suas operações internas após a deflagração da ofensiva militar. Naquela mesma época, o governo cassou a licença oficial de funcionamento do veículo e o rotulou como “agente estrangeiro”, um mecanismo legal empregado para sufocar organizações e indivíduos acusados de receber influência externa.
O jornal carrega um histórico de forte projeção internacional na defesa da liberdade de imprensa. O ex-editor-chefe Dmitry Muratov foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 2021, dividindo a honraria com a jornalista filipina Maria Ressa pelo reconhecimento aos seus “esforços para salvaguardar a liberdade de expressão” em suas respectivas nações.
Diante do desfecho, o Comitê Norueguês do Nobel manifestou repúdio nesta sexta-feira (30) ao que qualificou como encerramento forçado do veículo. A instituição destacou em nota oficial a relevância histórica do jornal, cofundado e liderado por longos anos pelo vencedor do Nobel da Paz.
Fonte: Mundo