Cenário global desafiará próximo presidente do Brasil
O futuro ocupante do Palácio do Planalto assumirá o comando do país em meio a um cenário internacional significativamente mais complexo do que o atual.
Novas dinâmicas no cenário internacional Analistas políticos ressaltam que, independentemente do resultado nas urnas, o novo governo precisará lidar com mudanças profundas na geopolítica global logo no início do mandato.
As eleições legislativas nos Estados Unidos e as disputas presidenciais em países europeus e na América do Sul devem redesenhar as alianças tradicionais.
Desafios fundamentais para a diplomacia Especialistas ouvidos avaliam que a política externa brasileira terá três prioridades imediatas: reconstruir os laços com Washington, encontrar uma posição neutra na disputa entre Estados Unidos e China, e recuperar a articulação na América do Sul.
“A conjuntura global que o próximo presidente do Brasil vai encontrar, daqui alguns meses, será muito mais complexa do que a de hoje.”
A avaliação é do economista Otaviano Canuto, que leciona na Elliott School of International Affairs da George Washington University e atuou como vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
O fator Donald Trump e as relações bilaterais A postura da Casa Blanca sob a liderança de Donald Trump continuará exercendo forte influência sobre a economia e a segurança do Brasil.
Especialistas apontam que a gestão republicana deve manter pressões comerciais e exigir alinhamentos estratégicos, o que exigirá habilidade diplomática de qualquer governante brasileiro para evitar conflitos diretos.
“O presidente eleito pode esquecer qualquer ideia de ter relações lógicas com os outros países”, diz Vinícius Mariano de Carvalho, professor do King’s College. “O padrão geopolítico de hoje é o de falta de coerência e de regulação”.
“Porém, se os desafios serão os mesmos, as respostas a eles vão variar a depender de quem sair vitorioso das urnas”, segue Canuto.
“Até porque o alinhamento ideológico de cada um não significará a eliminação das tensões com os governos que, a priori, seguem uma mesma ideologia”, acrescenta o professor.
“Na verdade”, corrobora Carvalho, “um aliado de hoje pode ser o rival, literalmente, de amanhã — e esse amanhã não é tão subjetivo. Estou falando já do ano que vem.”
Perspectivas para o futuro da nação A estabilidade econômica e a inserção do Brasil no comércio internacional dependerão diretamente de como a nova administração gerenciará essas crises sobrepostas nos próximos anos.
Fonte: G1 - Política