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Caderno Mercado

Guerra no Oriente Médio restringe diesel para lavouras do Rio Grande do Sul

Guerra no Oriente Médio restringe diesel para lavouras do Rio Grande do Sul

O setor agrícola do Rio Grande do Sul enfrenta sérias dificuldades de abastecimento de óleo diesel bem no momento em que se prepara para iniciar o plantio da safra de verão.

Impacto internacional nos combustíveis De acordo com a Sulpetro, sindicato que responde pelos postos revendedores no estado, a contração nos estoques decorre diretamente dos conflitos armados no Oriente Médio, cenário que encareceu o insumo na cotação global. Atualmente, o Brasil depende de compras externas para suprir 30% da sua demanda por esse derivado de petróleo.

“A importação está menor. Então, os estoques nacionais estão no limite do consumo. Não existe uma escassez, existe uma restrição. Não é falta de produto, é restrição e com preços elevados”, afirma Fabrício Severo Braz, presidente da Sulpetro.

A entidade destaca ainda que a disparidade de valores fez com que compradores de outras regiões do país passassem a buscar o combustível no território gaúcho, onde o custo apresentava melhores condições.

Dificuldades no campo Os reflexos dessa restrição atingem diretamente o trabalho nas lavouras. Em Santa Cruz do Sul, o produtor rural Arcênio Dupont relata que há três semanas tenta abastecer seus tratores sem sucesso completo, conseguindo adquirir apenas metade dos dois mil litros que costuma utilizar.

Situação semelhante ocorre em Júlio de Castilhos, onde uma cooperativa agrícola voltada a seis mil associados sofre com entregues insuficientes por parte das distribuidoras. Em Santa Maria, o agricultor Sidnei Prates precisou buscar postos rodoviários para garantir o combustível necessário à colheita do arroz.

Postos e regulação oficial A rede de revenda também sofre com o cenário. O empresário Antônio Palharin relata que as entregas foram cortadas pela metade em relação aos pedidos habituais feitos às companhias distribuidoras.

Em contrapartida, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis assegura que o país não corre perigo de desabastecimento. Contudo, após ouvir as queixas vindas do campo gaúcho, o órgão regulador intensificou o acompanhamento sobre as reservas e a logística de entrega do óleo diesel.

Fonte: G1 Economia