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Caderno Mercado

Salão de Paris marca contra-ataque europeu aos carros chineses

Salão de Paris marca contra-ataque europeu aos carros chineses

O avanço das fabricantes da Ásia não passou sem resposta na edição de 2026 do Salão do Automóvel de Paris. Em vez de apenas assistirem à expansão dos concorrentes orientais, as montadoras tradicionais da Europa aproveitaram o evento francês para inaugurar uma nova fase na mobilidade elétrica, apresentando novidades de peso e conceitos capazes de brigar diretamente em tecnologia e custo de aquisição.

Compactos chegam com preços para frear marcas asiáticas

Para resguardar seu território e tentar expandir suas operações em outros continentes, os grupos europeus investiram pesado no segmento de entrada. A resposta do público no centro de convenções Paris Expo Porte de Versailles confirmou a atratividade da estratégia, reunindo multidões diante de opções urbanas a bateria.

Entre os destaques mais procurados, a nova geração do Renault Twingo desembarca nas concessionárias francesas com valor de partida de 19.490 euros (cerca de R$ 110,1 mil). O valor compete de forma frontal com o BYD Dolphin Mini, comercializado localmente a partir de 19.990 euros (R$ 112,5 mil). Outro centro das atenções é o protótipo que recria o emblemático Citroën 2CV, com previsão de chegada ao mercado em 2028 e expectativa de preço inicial em torno de 15 mil euros (R$ 84,7 mil).

A ofensiva reflete a necessidade de assegurar o domínio regional enquanto se busca expansão fora do continente. “A Europa representa hoje mais de 50% das nossas atividades”, diz Ivan Segal, vice-presidente global de vendas da Renault. “Nossa ambição é chegar a uma distribuição equilibrada, de 50% para cada região.”

Alemãs e italianas renovam portfólio elétrico

A reação também envolve marcas alemãs que tentam superar desempenhos comerciais abaixo do esperado. A Volkswagen busca recuperar terreno após as vendas modestas dos primeiros veículos da família ID e aposta na transição do SUV Tiguan para uma versão totalmente elétrica. O utilitário esportivo deve assumir o lugar do ID.4 e traz como trunfo uma autonomia projetada de 600 quilômetros.

Na mesma linha, a Audi revelou o inédito A2. Distante da proposta monovolume de 1999, o veículo ressurge como um hatch compacto elevado de tração traseira, preparado para rivalizar com o Volvo EX30. Suas configurações entregam potências entre 170 cv e 326 cv, com tabela inicial próxima de R$ 215 mil na conversão direta.

A Stellantis também exibiu novidades por meio da Lancia. A marca italiana apresentou o Gamma, um SUV cupê de desenho contemporâneo que resgata um batismo histórico e oferece até 741 quilômetros de alcance em sua configuração Long Range.

O peso dos impostos sobre veículos importados

No segmento dos ultracompactos, a nova aposta da Smart chamou atenção com seus 2,75 metros de comprimento e capacidade para dois passageiros. Criado com foco estritamente urbano, o modelo foi desenhado pela Mercedes-Benz, mas sua montagem ocorre na China em virtude da parceria da marca alemã com a Geely, firmada em 2019.

Por conta dessa fabricação no exterior, o modelo pagará taxas alfandegárias mais elevadas do que veículos produzidos dentro da União Europeia, atingindo um custo inicial estimado em R$ 115 mil. O caso evidencia que, mesmo com produtos mais eficientes e atraentes, a taxação e as restrições sobre automóveis importados continuam sendo ferramentas essenciais na defesa comercial da indústria automotiva europeia.

Fonte: Folha - Mercado