RD Saúde aposta em emagrecedores e prevê salto de vendas até 2027
A RD Saúde planeja expandir sua participação no mercado de medicamentos para emagrecimento até 2027. O diretor-presidente da companhia, Renato Raduan, declarou nesta quarta-feira (4) que a estratégia consiste em compensar a queda nos preços — motivada pela popularização desses produtos — por meio de um volume maior de vendas.
Balanço financeiro e o peso dos injetáveis O grupo proprietário das bandeiras Droga Raia e Drogasil divulgou lucro líquido de R$ 439 milhões referentes ao terceiro trimestre, registrando avanço de 9,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho ficou praticamente alinhado às expectativas do mercado financeiro.
Nessa etapa, os tratamentos com GLP-1, indicados para diabetes e perda de peso por meio de substâncias injetáveis como a semaglutida, representaram aproximadamente 12% da receita total da empresa.
Novas opções e a chegada dos comprimidos A tirzepatida (conhecida como Mounjaro) responde por dois terços da comercialização de emagrecedores na rede, enquanto a semaglutida compõe o terço restante. A semaglutida teve sua patente liberada pela fabricante Novo Nordisk em março, abrindo espaço para novos concorrentes no setor.
“O preço caiu mais rápido do que esperávamos, mas achamos que daqui para frente a deterioração não será tão grande”, disse o executivo, ao comentar a ampliação de opções de canetas emagrecedoras.
Raduan avalia que a concorrência ampliada é benéfica e projeta a sustentação das margens de lucro. Além disso, a chegada de versões em comprimidos promete atrair clientes que evitam as canetas injetáveis por receio de agulhas. A Anvisa aprovou recentemente o registro da via oral do Wegovy, com expectativa de chegada às farmácias nos próximos meses.
Combate ao mercado ilegal e expansão de lojas Questionado sobre o comércio informal de canetas emagrecedoras, o CEO apontou um aumento na venda de seringas nas filiais, impulsionado pelo uso de fármacos importados de forma irregular.
“sentimento é de que ainda é alta mas com o tempo pode se normalizar”, disse.
No âmbito da expansão física, a empresa encerrou o trimestre com 3.770 farmácias no Brasil, após abrir 92 unidades. A expectativa é fechar 2026 no teto da meta de inaugurações, que prevê entre 330 e 350 novas lojas. “Foi um ano de expansão realmente muito saudável”, afirmou.
Repercussão no mercado financeiro Sobre o avanço dos marketplaces no setor farmacêutico, a diretoria avalia que os canais digitais não atrapalham o ritmo da rede. “Não acho que estão inibindo nosso crescimento. Em alguns momentos até ajudando como parceiros”, afirma.
Após a divulgação do balanço trimestral, os papéis da companhia subiram mais de 3% no período da tarde. Analistas da XP Investimentos destacaram a resiliência e a consistência operacional da empresa diante de um cenário desafiador para o varejo farmacêutico.
“Vemos a empresa como um nome de qualidade negociando com desconto em relação aos níveis históricos e esperamos que se mostre mais resiliente em um cenário potencialmente mais desafiador para o consumo à frente”, dizem os especialistas em relatório.
Fonte: Folha - Mercado