Pular para o conteúdo principal

Caderno Mercado

Pl se divide sobre lançar candidatura à presidência da câmara

Pl se divide sobre lançar candidatura à presidência da câmara

Após oficializar o nome de Rogério Marinho (RN) para a disputa à presidência do Senado, o Partido Liberal enfrenta um forte racha interno sobre lançar ou não uma candidatura própria ao comando da Câmara dos Deputados. O tema foi debatido em uma reunião realizada na última terça-feira (3) com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e parlamentares da sigla.

H2: O dilema das comissões e o isolamento político A ala que defende compor com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), argumenta que, se o PL não fizer isso, ficará isolado, sem direito a pedir as presidências das principais comissões da Casa. Até o momento, Motta assegurou o apoio de 15 legendas, formando o maior bloco da Câmara. Projeções de técnicos indicam que ficar de fora resultaria na 16ª escolha de comissão, empurrando o partido para colegiados de menor relevância. Caso integre o bloco, a sigla liderada por Valdemar teria prioridade na escolha das três primeiras comissões, benefício garantido por ter eleito a maior bancada para 2027. Partidos como PSB, PDT e PV também já declararam apoio à reeleição de Motta.

“Um gesto como esse [lançar candidatura contra Motta] nos deixaria fora do bloco. E estar fora do bloco significa não ter nenhuma comissão relevante. Ou seja, seríamos apenas coadjuvantes por dois anos”, diz um parlamentar que participa das conversas.

Para esse grupo pragmático, uma candidatura própria seria apenas simbólica e sem futuro prático. O cenário remete ao revés sofrido pelo PL no Senado em 2023, quando Marinho enfrentou Rodrigo Pacheco, perdeu e a legenda acabou sem espaço na Mesa Diretora ou liderança de comissões, gerando arrependimento na época.

H2: A defesa de uma candidatura independente Em contrapartida, grande parte da bancada, especialmente os deputados novatos, apoia uma candidatura própria para marcar posição. Um participante do encontro com Valdemar afirmou que o sentimento de autonomia em relação a Motta é predominante entre eles.

“Queremos uma candidatura própria, seja pra ganhar ou para perder”, diz esse parlamentar na condição de anonimato.

O motivo principal seria a insatisfação com a aproximação de Motta com o governo federal, intensificada após o presidente da Câmara defender publicamente a reeleição do presidente Lula (PT). Para esses parlamentares, apoiar o mesmo bloco do PT prejudicaria a imagem da sigla perante os eleitores. Além disso, eles minimizam o peso das comissões, argumentando que os colegiados perderam força devido ao uso frequente de urgências para votações diretas em plenário.

H2: Posicionamento de lideranças e próximos passos O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) manifestou-se abertamente a favor de uma candidatura própria e sugeriu os nomes de Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

“Eu vejo que espaços na Câmara têm um peso menor do que a gente simplesmente estar junto, caminhando junto com o Hugo Motta e ter algum tipo de espaço, prioridade, comissões dentro da Câmara”, disse Nikolas.

“Minha posição é que existem coisas maiores em jogo agora do que meras comissões, que são importantes, mas que agora o peso maior é uma resposta que a gente tem que dar ao povo brasileiro”, acrescentou.

A definição oficial deve ocorrer na próxima quarta-feira (11), quando a bancada se reunirá novamente. Enquanto isso, o PT articula barreiras para impedir a entrada da oposição no bloco de apoio a Hugo Motta.

Fonte: G1 - Política