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Caderno Mercado

Dona do Ozempic tem alta de 27% no lucro trimestral e melhora projeções

Dona do Ozempic tem alta de 27% no lucro trimestral e melhora projeções

A Novo Nordisk, fabricante responsável pelo Ozempic e pelo Wegovy, elevou suas projeções para o ano pela terceira vez em 2026. A decisão foi impulsionada pelo desempenho trimestral acima do esperado, que reforça a estratégia da farmacêutica dinamarquesa para diminuir a vantagem da norte-americana Eli Lilly no mercado global de tratamentos contra obesidade e diabetes.

Lucro e vendas superam estimativas

O lucro operacional ajustado do terceiro trimestre apresentou alta de 27%, alcançando 31,72 bilhões de coroas dinamarquesas (equivalente a R$ 26,09 bilhões) a taxas de câmbio constantes. O resultado superou amplamente a média projetada pelos analistas, que apontava para 28,39 bilhões. Já as vendas ajustadas somaram 79,2 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 65,13 bilhões), superando a expectativa de mercado de 73,22 bilhões.

“O crescimento foi impulsionado por nosso portfólio de produtos para obesidade, com a adoção contínua do comprimido Wegovy nos EUA e lançamentos iniciais encorajadores internacionalmente”, afirmou o presidente-executivo Mike Doustdar.

Com o avanço, a companhia ajustou sua previsão para o acumulado do ano, projetando um cenário que vai desde um crescimento de 2% até uma queda de 2% em taxas de câmbio constantes, uma melhora em relação à estimativa anterior, que previa oscilação entre estabilidade e retração de 6%.

Aposta nos comprimidos contra a obesidade

O grande motor dessa recuperação tem sido a versão em comprimido do Wegovy. Lançada nos Estados Unidos em janeiro, a formulação oral gerou 5,39 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 4,43 bilhões) no terceiro trimestre, um salto de 53% em relação ao período imediatamente anterior.

Enquanto a rival norte-americana lidera com o injetável Zepbound, executivos e analistas enxergam na via oral uma vantagem competitiva para a empresa europeia.

“Não há como negar que a Eli Lilly claramente lidera o mercado de medicamentos injetáveis para obesidade, mas a Novo leva vantagem quando se trata de comprimidos”, comentou Lars Hytting, investidor da ArthaScope, acionista da Novo.

Mudanças na liderança e corte de preços

Apesar do otimismo com os comprimidos, a empresa lida com desafios regulatórios e de mercado, incluindo a desaceleração temporária na curva de prescrições atribuída à sazonalidade, com expectativa de retomada no fim do ano.

No âmbito corporativo, a companhia anunciou que o diretor financeiro Karsten Munk Knudsen deixará o posto em dezembro, sendo substituído por Luigi La Corte, que atua na mesma função na Galderma. Além disso, a farmacêutica planeja reduzir os preços de tabela nos Estados Unidos para o Wegovy e o Ozempic para US$ 675 mensais a partir de 1º de janeiro, refletindo ajustes que impactarão o fluxo de caixa do próximo ano.

Fonte: Folha - Mercado