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Caderno Mercado

Boom de data centers nos EUA enfrenta crise com atrasos e dúvidas

Boom de data centers nos EUA enfrenta crise com atrasos e dúvidas

A corrida bilionária pela expansão de data centers voltados à inteligência artificial nos Estados Unidos começa a demonstrar sinais de desgaste. O mercado, descrito por especialistas como um ambiente de “Velho Oeste”, lida com um volume imenso de dívidas, atrasos em obras, rejeição da sociedade e desconfiança de acionistas sobre uma possível bolha financeira no setor.

Incertezas regulatórias e financeiras

Mais de três anos após o início da febre tecnológica, dezenas de grandes empreendimentos sofreram paralisações ou foram cancelados. Analistas apontam que apenas uma fração dos projetos planejados apresenta viabilidade real, enquanto milhares de comunidades norte-americanas tentam impor barreiras à chegada dessas estruturas.

O encarecimento do crédito e a instabilidade no mercado de títulos públicos colocam em risco o modelo de negócio das chamadas empresas “neocloud”. A queda acentuada nos ativos de companhias como a CoreWeave evidencia a apreensão do mercado quanto à capacidade dessas companhias de honrar compromissos financeiros multibilionários.

Grandes players e cronogramas em risco

Laboratórios de ponta e empresas de tecnologia assumiram compromissos financeiros sem precedentes para garantir capacidade computacional. Gigantes como Anthropic e OpenAI priorizaram a velocidade de entrega para evitar gargalos, mesmo firmando parcerias com fornecedores novatos e aceitando custos elevados no curto prazo.

Essa estratégia, no entanto, gerou renegociações contratuais e estouros orçamentários expressivos. Empreendimentos associados à Oracle, além de iniciativas lideradas por ex-mineradoras de criptomoedas convertidas em fornecedoras de nuvem, enfrentam prazos estendidos e exigências de capital suplementar para evitar o cancelamento de acordos milionários.

O avanço da infraestrutura digital nos Estados Unidos demanda aportes que superam o patamar de trilhões de dólares, rivalizando com grandes revoluções históricas de engenharia civil. No entanto, o endurecimento das regras de licenciamento ambiental, a escassez de energia e a resistência da população local ameaçam desacelerar o ritmo de expansão prometido pelas principais corporações do setor.

Fonte: Folha - Mercado