China planeja barrar exportação de tecnologia solar para proteger segurança
O governo da China colocou em pauta o endurecimento das regras para a saída de 12 inovações tecnológicas essenciais para a fabricação de equipamentos solares do território nacional. Divulgada na última sexta-feira (16), a iniciativa é justificada por Pequim como uma questão de segurança nacional, integrando uma estratégia que abrange ainda setores como inteligência artificial e biotecnologia.
Supervisão em áreas sensíveis
O Ministério do Comércio do país justificou que a inclusão das tecnologias fotovoltaicas na lista oficial de controle de exportações decorre do uso crescente desses recursos em segmentos considerados sensíveis, a exemplo da aviação e da defesa nacional. Diálogos preliminares com industriais do setor já haviam ocorrido em abril, antecipando possíveis barreiras à fabricação avançada de painéis.
Com a determinação, companhias norte-americanas, como a Tesla, correm o risco de verem comprometidos seus projetos de ampliação fabril. Além disso, análises de mercado apontam que a Índia — que busca diminuir sua dependência externa e fortalecer a indústria local — também figura entre os alvos das restrições para manter a hegemonia chinesa no segmento.
Impacto nas inovações fotovoltaicas
A proposta do ministério visa “prevenir os riscos de que as tecnologias saiam de controle ou sejam disseminadas de forma inadequada, ao mesmo tempo em que se preservam os intercâmbios internacionais e a cooperação em ciência e tecnologia”. Enquanto o catálogo definitivo não entra em vigor, as empresas exportadoras têm a obrigação de registrar certas operações de transferência tecnológica para fora do país, com prazo de consulta pública estipulado até o dia 15 de novembro.
Entre os itens que teriam a comercialização externa totalmente vetada estão métodos aplicados na confecção de lâminas finas, além de técnicas voltadas para a fabricação em massa de polissilício por leito fluidizado e para o desenvolvimento de células solares de perovskita e do tipo tandem.
Diferenciais tecnológicos na mira
A perovskita desponta como uma alternativa moderna capaz de elevar o rendimento energético, enquanto as células tandem integram essa substância ao silício para absorver uma fatia maior do espectro luminoso. Já a produção de polissilício — matéria-prima fundamental para painéis — via leito fluidizado destaca-se por apresentar custos menores e maior eficiência energética se comparada ao tradicional método Siemens.
Por outro lado, o pacote governamental prevê apenas a limitação, sem proibição total, para a exportação de métodos avançados de produção de células solares das classes TOPCon, HJT e XBC.
Fonte: Folha - Mercado