Corretoras de criptomoedas aumentam segurança após ataque recorde de US$ 6,3 bilhões
As plataformas de ativos digitais estão correndo para atualizar seus sistemas de proteção e tranquilizar os clientes após um roubo sem precedentes de US$ 6,3 bilhões na Binance, a maior corretora do planeta.
Ataques e vulnerabilidades no setor O incidente ocorreu na noite de quinta-feira (29) e ainda passa por apuração para determinar exatamente como os invasores conseguiram burlar os sistemas. O presidente Donald Trump afirmou que os EUA estavam “analisando” o roubo, enquanto especialistas apontam indícios de que a invasão foi executada por hackers da Coreia do Norte.
Em uma primeira fase, a apuração da Binance revelou que o computador portátil de um funcionário havia sido invadido, mas a empresa admitiu mais tarde que outros pontos fracos foram localizados na rede.
Medidas das gigantes do mercado Diante da gravidade da situação, empresas concorrentes decidiram agir rapidamente. Jeff Lunglhofer, diretor de segurança da Coinbase, disse que a maior corretora cripto dos EUA havia “feito alguns ajustes em nossos sistemas de armazenamento a frio exclusivamente por excesso de cautela”.
Outras empresas do setor também adotaram posturas defensivas. A Kraken informou que segue vigiando o cenário e garantiu que seus serviços operam sem interrupções, enquanto a Gemini implementou “alertas e restrições adicionais” para coibir eventuais transferências indevidas de capital.
Recuperação de ativos e impactos Neste sábado (31), a Binance comunicou que já conseguiu recompor 90% dos fundos subtraídos. O restante, equivalente a 10%, refere-se a ativos com menor liquidez, o que deve exigir um prazo mais longo para a recuperação integral.
Por meio de um comunicado publicado no fim da sexta-feira (30), a administração da plataforma declarou ter “contido a infraestrutura comprometida, revogado as autorizações afetadas e implementado controles adicionais para impedir novas atividades não autorizadas”.
Os saques continuam paralisados, com previsão de normalização em aproximadamente “34 horas”, indicando retorno por volta das 3h de domingo (1º), no horário de Brasília. O modelo operacional das corretoras, que concentram montantes bilionários de investidores, acaba atraindo a atenção de criminosos virtuais.
Conexão com a Coreia do Norte e alertas Empresas especializadas em análise de blockchain associaram a ação ao grupo TraderTraitor, vinculado ao governo norte-coreano. O FBI já havia responsabilizado esse mesmo coletivo pelo furto de US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit no ano anterior.
Segundo a Chainalysis, os invasores “usaram automação” para transferir os valores pela rede Tron logo após o saque da plataforma.
“Embora este incidente não tenha precedentes em escala, ataques a corretoras não são novidade. Todas as corretoras devem permanecer vigilantes”, afirmou a Chainalysis.
Além disso, Will Megson, vice-presidente de produto da Coinbase, relatou que a companhia promoveu “grandes melhorias” nas defesas para celulares, “a fim de manter os usuários protegidos contra ligações fraudulentas”.
“Os golpistas muitas vezes tentam permanecer na linha enquanto orientam as vítimas a alterar configurações”, disse ele.
Para Star Xu, presidente-executivo da OKX, o momento exige que o mercado “deve manter a humildade e a vigilância, além de questionar constantemente nossas próprias premissas de segurança”.
O executivo defendeu ainda que o setor precisa “estabelecer mecanismos para todo o setor que permitam notificações em tempo real sobre incidentes de segurança, monitoramento coordenado de recursos suspeitos e respostas rápidas a possíveis ataques”, além de “reforçar nossas defesas contra as novas ameaças à segurança impulsionadas por IA”.
Fonte: Folha - Mercado