Prédio em construção com mais de 10 andares desaba em Nairóbi
Uma tragédia abalou a capital queniana nesta sexta-feira (23) com a queda de um edifício com mais de 10 andares na agitada área comercial de Eastleigh, em Nairóbi. O acidente reduziu a estrutura a uma enorme massa de concreto sobreposta, gerando apreensão quanto ao número exato de vítimas sob os escombros.
Desespero e fuga por pouco
O estucador Joseph Kaula relatou momentos de pânico ao trabalhar no quinto andar, quando ouviu gritos e correria generalizada de colegas alertando sobre a queda iminente da estrutura. “Eu fui a última pessoa a sair antes do desabamento e toda a área ficou cheia de poeira”, disse Kaula, que suspeita que companheiros de trabalho tenham ficado presos no porão.
A polícia precisou agir com gás lacrimogêneo para conter saques em estabelecimentos vizinhos enquanto isolava o perímetro. O chefe de polícia local, Issa Mohamud, confirmou que uma mulher ferida foi hospitalizada e relatou que outra vítima que pedia socorro acabou emudecendo. As autoridades também alertaram sobre o risco de colapso de um prédio vizinho que servia de apoio.
Desafios no resgate e celulares mudos
As operações de salvamento enfrentaram forte escassez inicial de maquinário pesado, obrigando socorristas a utilizarem galhos de árvores para vasculhar os escombros antes da chegada de escavadeiras e pás carregadeiras. Familiares relataram que parentes presos fizeram ligações logo após o impacto, mas os telefones logo ficaram inalcançáveis. Uma tenda foi montada para o registro de desaparecidos.
Fiscalização falha e promessa de punição
Colapsos estruturais são recorrentes na capital queniana devido à falta de inspeções rigorosas e ao descumprimento de normas por parte dos construtores. O governador de Nairóbi, Johnson Sakaja, apontou que a obra tinha aprovação, mas operava sem certificado de ocupação, permitindo irregularmente o funcionamento de comércios no térreo. Ele ainda criticou a lenquilhança das leis atuais, classificando as penalidades como insuficientes. “Serão realizadas investigações”, disse Mohamud. “Garantiremos que os responsáveis por qualquer negligência sejam responsabilizados perante a lei.”
Fonte: Mundo