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Caderno Mercado

Mulheres temem mais assumir falhas em locais dominados por homens

Mulheres temem mais assumir falhas em locais dominados por homens

Uma pesquisa recente revelou que o gênero e a composição das equipes influenciam diretamente a forma como os profissionais lidam com falhas no ambiente corporativo. O levantamento indica que o receio de assumir deslizes aumenta consideravelmente entre o público feminino quando os colegas do sexo masculino são maioria.

O impacto da proporção de homens

O trabalho científico foi conduzido pela London School of Economics (LSE) e divulgado na revista Frontiers in Organizational Psychology. Para entender essa dinâmica, os pesquisadores ouviram mais de 1,4 mil trabalhadores do setor financeiro britânico, traçando um panorama sobre a segurança psicológica.

“Em equipes nas quais três quartos ou mais dos integrantes são homens, as mulheres relataram sentir menos conforto para admitir um erro e menos confiança de que a experiência resultará em aprendizado. Já em ambientes onde as mulheres são maioria, essa desconfiança desaparece”, afirma Grace Lordan, autora principal do estudo.

Diferenças na percepção dos equívocos

Os dados coletados demonstraram que os homens mantêm uma visão otimizada sobre os tropeços profissionais independentemente da demografia da equipe. Em contrapartida, as funcionárias associam o deslize a um risco maior para a carreira quando estão em desproporção numérica.

“Em equipes nas quais mais de três quartos dos integrantes eram homens, as mulheres relataram menor nível de conforto do que os homens nas mesmas condições”, acrescenta Lordan. “As mulheres também eram menos propensas a enxergar os erros como oportunidades de aprendizado.”

Vulnerabilidade e reputação informal

Curiosamente, a expectativa de punições formais foi igualitária entre os gêneros. Isso demonstra que o problema reside na esfera psicológica e na reputação informal dentro da corporação.

As profissionais temem que o deslize manche sua imagem institucional e resulte em julgamentos subjetivos. As mulheres temem “ser percebidas como menos competentes e que o erro seja usado contra elas de maneiras não escritas”, afirma Lordan.

Soluções para o ambiente corporativo

Os autores alertam que a inovação sofre impactos diretos quando o erro é acobertado por medo. “Aprender com os erros é a base da inovação. Se as mulheres se sentem menos livres para admitir equívocos, a organização não perde apenas confiança, mas também lições valiosas”, afirma Lordan.

Para reverter esse cenário, a recomendação é que as lideranças adotem postura transparente sobre os próprios tropeços. Além disso, as companhias devem implementar redes de mentoria e espaços seguros que incentivem o diálogo aberto e livre de preconceitos.

Fonte: G1 Economia