Fórmula 1: conheça cinco inovações das pistas que hoje equipam veículos populares
A principal categoria do automobilismo mundial funciona muito além do entretenimento para os fãs, atuando como um verdadeiro laboratório de engenharia avançada para inovações que posteriormente chegam aos veículos comerciais.
Câmbio borboleta e o fim da embreagem manual
Se você já reparou em um volante equipado com duas abas na parte traseira, sabe que elas servem para a troca de marchas, uma facilidade comum em automóveis automáticos. Esse mecanismo teve origem na Fórmula 1, onde os competidores utilizavam transmissões tradicionais e precisavam acionar a embreagem manualmente até o final da década de 1980.
A estreia ocorreu em uma Ferrari durante a temporada de 1990, idealizada pelo engenheiro John Barnard. O sistema semiautomático trazia ganho de tempo e, sete anos depois, já aparecia em veículos comerciais da marca italiana. Atualmente, o recurso democratizou-se e está disponível até em versões de entrada, como o Volkswagen Polo Sense.
Recuperação de energia e eletrificação
Os automóveis eletrificados ganham cada vez mais espaço no mercado e contam com mecanismos que recarregam a bateria durante as desacelerações. Essa tecnologia estreou nas pistas em 2009 sob a nomenclatura de KERS, permitindo que o motor elétrico girasse no sentido oposto para gerar eletricidade e fornecer um impulso extra.
Embora o princípio permaneça o mesmo, os motores atuais combinam combustão e eletricidade para otimizar o consumo e diminuir emissões. Esse sistema serve de base para híbridos e elétricos, estando presente desde modelos acessíveis como o Renault Kwid até opções de luxo. Na prática, descer serras como a que liga São Paulo a Santos pode gerar dezenas de quilômetros de autonomia apenas com a energia recuperada nas frenagens.
Aerodinâmica ativa e controle de tração
Outro elemento frequente nas competições é a asa móvel, projetada para modificar o comportamento aerodinâmico conforme a necessidade, gerando resistência nas retas e aderência nas curvas. Embora seja mais comum em superesportivos como os modelos da Porsche, a busca por eficiência aerodinâmica influencia diretamente o design automotivo.
Por sua vez, o controle de tração surgiu nas equipes de elite entre os anos 1980 e 1990, destacando-se na Williams pilotada por Nigel Mansell. O sistema reduz a força do motor ao identificar que os pneus estão perdendo aderência. Banido das pistas atualmente, o dispositivo tornou-se obrigatório por lei no Brasil a partir de 2024 para reforçar a segurança em curvas e desvios.
Telemetria e monitoramento avançado
O uso intensivo de sensores nas pistas permitiu o desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico que hoje equipam utilitários e hatches comercializados no país. Atualmente, motoristas contam com avisos de calibragem de pneus, monitoramento de injeção eletrônica e controle de nível de combustível.
Enquanto nas garagens da categoria máxima do esporte esses dados são analisados instantaneamente em grandes telas para definir estratégias de prova, nos veículos de passeio modernos muitos desses parâmetros já podem ser acompanhados diretamente pelo smartphone através de aplicativos conectados.
Fonte: G1 Economia