Preço do açúcar sobe 28% em um ano na contramão dos alimentos
O mercado internacional registrou uma disparada expressiva no custo do adoçante, que acumulou alta de 28,8% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado. O movimento vai na contramão do comportamento geral do mercado, já que os preços globais dos alimentos recuaram no período, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Impacto das chuvas e quebra de safra
Apenas na comparação com setembro, o valor do açúcar avançou 6,6%, marcando a quarta alta mensal consecutiva e atingindo o patamar mais elevado desde dezembro de 2024. A principal pressão veio das chuvas, que prejudicaram a colheita e a moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do país.
De acordo com a FAO, a alta foi impulsionada principalmente por “interrupções relacionadas às chuvas nas operações de colheita e moagem da cana-de-açúcar” no Centro-Sul brasileiro e pelas incertezas sobre a produção na Índia, na União Europeia e na Tailândia na safra 2026/27.
Comportamento do índice global de alimentos
A forte valorização do adoçante contrasta com a trajetória de baixa dos preços globais dos produtos agrícolas. O índice oficial da FAO fechou outubro em 133,9 pontos, o que representa uma retração de 1,2% frente a setembro. Mesmo com o recuo mensal, o indicador permanece 5,9% acima do patamar registrado em outubro de 2025, embora siga 16,4% abaixo do recorde histórico alcançado em março de 2022, na esteira do início da guerra na Ucrânia.
A baixa generalizada do mês foi puxada principalmente pelas reduções nas cotações de cereais, laticínios e carnes, reajustes que compensaram amplamente as pressões de alta vindas do açúcar e dos óleos vegetais.
Variações nos mercados de cereais e carnes
Entre os setores monitorados, o grupo dos cereais liderou as quedas com um recuo de 4,5%, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de valorização do trigo. A desoneração ocorreu devido à demanda internacional enfraquecida e às perspectivas mais favoráveis de safra, sobretudo na Argentina. A expectativa de flexibilização no transporte marítimo pelo Mar Negro também colaborou, apesar dos gargalos logísticos persistentes na área.
O milho também registrou retração após atingir o pico de três anos em setembro, beneficiado pela colheita nos Estados Unidos e pela perspectiva de oferta farta na América do Sul. Em sentido oposto, o arroz encareceu 1,6% devido a intempéries, colheitas atrasadas e custos operacionais elevados. No setor pecuário, o recuo médio foi de 1,2%, com quedas nas carnes suína, ovina e bovina, enquanto o frango ficou estável. Os laticínios cederam 1,1%, pressionados pela abundância de manteiga e queijo.
Óleos vegetais em alta
Enquanto a maioria dos setores registrou alívio nos custos, os óleos vegetais subiram 0,3% em outubro. A alta foi puxada principalmente pelos derivados de soja e girassol, superando a retração do óleo de colza. No caso específico da soja, as cotações alcançaram o patamar mais alto desde o encerramento de 2022, estimuladas pelo consumo aquecido do setor de biocombustíveis e pela entressafra na América do Sul.
Fonte: G1 Economia