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Caderno Mercado

El Niño pode gerar prejuízo bilionário na safra de soja do Brasil

El Niño pode gerar prejuízo bilionário na safra de soja do Brasil

A colheita nacional de soja na temporada 2026/27 corre o risco de sofrer uma retração de aproximadamente 10% caso o fenômeno climático atinja alta intensidade, fazendo o volume colhido despencar de 181,2 milhões para 163,6 milhões de toneladas.

Impacto econômico no setor agrícola O levantamento foi divulgado em um estudo inédito que avaliou as ameaças do clima nas principais zonas agrícolas do país. O Brasil se mantém como a principal liderança global na produção e na exportação do grão. A projeção inicial contabiliza um acréscimo de 900 mil hectares na área cultivada, um crescimento de 1,8% frente ao ciclo passado, alcançando 49,9 milhões de hectares.

Desafios e disparidades regionais Apesar da ampliação da área destinada ao cultivo, a escassez de precipitações associada a altas temperaturas ameaça derrubar a rentabilidade das plantações. Os prejuízos mais expressivos devem se concentrar no Centro-Oeste, com o Mato Grosso podendo registrar uma quebra de 9,7 milhões de toneladas e Goiás uma retração de 4 milhões de toneladas na colheita.

Em contrapartida, os efeitos variam conforme a geografia nacional. No Rio Grande do Sul, a colheita tem potencial de avançar 5,5 milhões de toneladas, visto que o estado costuma receber volumes maiores de chuvas durante episódios do fenômeno. No total da projeção negativa, 13 estados enfrentariam redução de produtividade e apenas quatro poderiam obter pequenos incrementos.

O avanço do plantio e a preocupação com o clima Enquanto o levantamento alerta para os riscos futuros, os trabalhos no campo avançam em ritmo acelerado em granjas de todo o território nacional, embora o excesso de umidade no Sul atrapalhe as atividades agrícolas. Dados recentes indicam que 40% da área estimada para a oleaginosa já foi semeada no país.

Daniel de Oliveira, gerente de geoprocessamento agro da Serasa Experian, destaca que os perigos entram em uma fase diferente, mudando o foco da implantação para o regime de chuvas.

“Quando começa a olhar para regiões relevantes, o risco deixa de ser para a implantação, mas como as chuvas vão ser distribuídas… para que o produtor não enfrente redução da produtividade tal como vimos na 2023/24”, explicou.

O especialista pontua que, embora os agricultores tenham aproveitado a segunda quinzena de outubro para intensificar o plantio, normalizando o ritmo em solo mato-grossense, a ameaça continua presente para os próximos meses, período crucial para o florescimento e a formação dos grãos.

“Mas o risco ainda não desapareceu, ainda não conseguimos dizer que a safra 26/27 está livre dos impactos que a gente está discutindo nesse estudo”, ressaltou.

Prejuízos financeiros e histórico Em episódios anteriores de forte incidência do fenômeno climático, como em 2024, a eficiência média das lavouras brasileiras recuou mais de 8% em comparação ao ciclo prévio, segundo estatísticas oficiais.

Caso o cenário pessimista se concretize, o impacto financeiro para o setor produtivo poderá atingir a marca de R$ 33 bilhões, com base em cotações anteriores. Contudo, analistas apontam que a menor disponibilidade do grão no mercado pode impulsionar as cotações, alterando o resultado financeiro final para os agricultores.

Fonte: G1 Economia