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Caderno Mercado

Crise no setor automotivo: BMW afundou 15% e Volvo recuou 16%

Crise no setor automotivo: BMW afundou 15% e Volvo recuou 16%

O mercado global de veículos registrou um cenário desfavorável no terceiro trimestre do ano. Duas gigantes da indústria automotiva revelaram balanços financeiros e comerciais abaixo do esperado na comparação com o mesmo período do ano anterior, impulsionadas por um ambiente de alta competitividade e dificuldades na Ásia.

Queda nos lucros e novas demissões na BMW

A montadora alemã registrou uma retração de 15% em seu lucro líquido entre os meses de julho e setembro, totalizando 1,45 bilhão de euros (cerca de R$ 8,9 bilhões). Como consequência do cenário adverso marcado pela menor demanda na China — o principal mercado automotivo do planeta —, a companhia confirmou que planeja ampliar o volume de desligamentos de funcionários.

O presidente-executivo da montadora alemã, Milan Nedeljkovic, evitou estipular um quantitativo exato de novos cortes, mas indicou que a empresa adotará medidas firmes. “Vamos até onde nossas pernas nos levarem…e até onde fizer sentido para nós”, comentou.

Anteriormente, em julho, a diretoria havia sinalizado a eliminação de 8.000 postos de trabalho até o término de 2027. Contudo, a adesão expressiva ao plano de demissão voluntária recente abriu espaço para antecipar reduções na força de trabalho.

“Conseguiremos concluir o programa em pouco tempo”, afirmou. “Essa resposta extremamente positiva ao programa abre um potencial mais significativo para enxugarmos nossas estruturas com maior rapidez”, disse sem divulgar os números.

Além da queda no lucro, a receita da BMW diminuiu quase 6%, situando-se em 30,5 bilhões de euros (R$ 187,27 bilhões). No panorama global, as entregas sofreram uma contração de 6,3%, com destaque negativo para o território chinês, onde o volume despencou 24,8%.

Impactos na indústria alemã

A forte retração nas negociações dentro da China tem provocado ajustes severos em toda a base fabril da Alemanha. Diante desse panorama, a Mercedes-Benz retomará suas próprias diretrizes de cortes de pessoal, ao passo que a Volkswagen projeta a eliminação de 120 mil postos de trabalho em escala global por meio de suas dez marcas até o ano de 2030.

Retração nas vendas da Volvo

No segmento sueco, a Volvo reportou uma diminuição de 16% nas negociações comerciais do terceiro trimestre, alcançando a marca de 141,65 mil veículos comercializados. Analisando as categorias, os automóveis totalmente elétricos apresentaram alta de 27% — atingindo 34% da participação total —, enquanto os modelos híbridos plug-in sofreram recuo de 30%, respondendo por 20% do volume.

“Na China, estamos nos adaptando à menor demanda e nos concentrando em estabilizar os negócios, em vez de buscar volume”, afirmou a empresa nesta quarta-feira. “As entregas do EX60 estão sendo afetadas atualmente pelo aumento gradual da produção, mas estamos ampliando de forma constante o volume de unidades produzidas”, declarou a montadora sueca.

Controlada majoritariamente pelo conglomerado chinês Geely, a Volvo Cars já havia apresentado números fracos no mês anterior, ocasião em que comunicou o corte de outros 2.500 postos de trabalho, fator que derrubou o valor de seus papéis na bolsa para patamares mínimos históricos.

Fonte: Folha - Mercado