Bahia, Botafogo e Internacional concorprem em prêmio nacional contra o feminicídio
Os finalistas da categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas foram revelados, destacando a atuação de Bahia, Botafogo e Internacional no enfrentamento à violência de gênero dentro do cenário esportivo nacional.
O cenário da violência de gênero no Brasil
Dados divulgados em março pelo estudo “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apontam que 1.568 mulheres foram mortas em crimes de gênero ao longo de 2025. O levantamento indica uma média de um assassinato a cada cinco horas e 36 minutos, registrando um aumento de 4,7% em comparação ao ano anterior. A maior parte das vítimas é negra (62,6%), concentrando-se na faixa etária entre 30 e 39 anos (28,3%).
A publicação também revela que, dos casos de feminicídio contabilizados entre 2021 e 2024, 66,3% ocorreram no domicílio da vítima. Além disso, mais de 80% dos crimes foram perpetrados pelo parceiro íntimo atual (59,4%) ou por um ex-companheiro (21,3%), com base em registros das Polícias Civis.
Seleção das equipes finalistas
A escolha dos clubes finalistas ocorreu por meio da avaliação de um júri inteiramente feminino, composto por jornalistas, comunicadoras, personalidades e especialistas dedicadas à igualdade de gênero. O grupo analisou as diferentes frentes sociais adotadas pelas instituições esportivas.
O anúncio do grande vencedor ocorrerá em 15 de novembro, durante cerimônia oficial no Museu do Futebol, localizado em São Paulo. O evento também premiará os melhores das demais categorias da temporada, como Craque da Torcida, Jogadora Revelação, Melhor Treinador(a), Melhor Jogadora, Artilheira, Gol Mais Bonito, Melhor Departamento de Futebol Feminino e Seleção da Temporada.
As iniciativas do Esporte Clube Bahia
O Bahia integrou a campanha estadual “Feminicídio Zero” no início da temporada, exibindo faixas de conscientização e utilizando camisas roxas na partida contra o Galícia. Na ocasião, uma unidade móvel externa prestou acolhimento e orientações sobre serviços de proteção.
Em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a agência Propeg, a equipe lançou a ação “Terceiro Tempo” no Brasileirão masculino. A iniciativa utilizou dados do FBSP que demonstram o aumento de 27,4% nas ameaças e de 28,8% nas lesões corporais decorrentes de violência doméstica em dias de jogos. Após o confronto contra o Internacional, mulheres convidadas ocuparam a arquibancada sob um letreiro com a mensagem: “Hoje, ficar no estádio é mais seguro que em casa”.
O projeto “A Hora Delas” e outras ações do Botafogo
Desde 2022, o Botafogo mantém o projeto “A Hora Delas”, transformando o Estádio Nilton Santos na primeira praça esportiva do Rio de Janeiro equipada com um posto permanente para registro de denúncias de assédio e violência de gênero, com suporte da Deam e do Jecrim. O clube também capacita funcionários e equipes de segurança terceirizadas.
O nome da iniciativa foi estampado em uma camisa especial rosa e branca alusiva ao Outubro Rosa durante partida contra o Remo em Belém. Em outra ação de grande repercussão, no jogo contra o Corinthians no final do ano passado, os atletas vestiram uniformes com numerações criadas a partir de radiografias de mulheres agredidas e a pergunta “quem matou?” acompanhada por nomes de vítimas de feminicídio.
O pioneirismo histórico e o engajamento do Internacional
Reconhecido por registrar a primeira sócia mulher da história do futebol brasileiro em 1918, o Internacional instalou em 2025 o “Banco Vermelho” no complexo do Beira-Rio, em Porto Alegre. A estrutura, inspirada em um movimento italiano, serve como espaço para reflexão e recados de apoio contra a violência de gênero, simbolizando o sangue das vítimas.
O Museu do Inter abrigou o evento “Mulheres na Arquibancada e o Combate ao Feminicídio”, organizado pelo núcleo feminino da Guarda Popular com apoio da diretoria. Já na decisão do Campeonato Gaúcho, a equipe entrou em campo com mensagens alusivas ao Disque-Denúncia (181), enquanto o telão do estádio exibia o placar simbólico de 20 a 0, representando o número de feminicídios registrados no estado no período, integrando a campanha governamental “Não Maquie, Denuncie”.
Fonte: Agencia Brasil