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Caderno Mercado

Sete fundadores da Anthropic deterão 50,1% dos votos após IPO

Sete fundadores da Anthropic deterão 50,1% dos votos após IPO

A abertura de capital da Anthropic colocará o controle acionário de uma das maiores empresas do mundo nas mãos de seus sete cofundadores bilionários, que receberão uma classe especial de ações garantindo 50,1% do poder de voto após o IPO.

O controle acionário e o prospecto S-1

O documento S-1 detalha que os acionistas comuns praticamente não terão influência nas decisões da companhia, deixando os rumos da organização sob a responsabilidade dos chamados “guardiões de nossa missão”. A permanência do grupo foi classificada como incomum no mercado tecnológico atual.

“A equipe fundadora da Anthropic tem uma visão e uma cultura incrivelmente unificadas, algo bastante raro entre os laboratórios de IA de fronteira”, disse Jenny Xiao, ex-pesquisadora da OpenAI e sócia da Leonis Capital.

“Isso é bastante tranquilizador para os investidores porque, embora a empresa já esteja bem estabelecida, a rotatividade da liderança ainda leva à perda de conhecimento institucional e prejudica a coerência cultural.”

Origens e trajetória dos fundadores

Os sete executivos trabalharam juntos na OpenAI até dezembro de 2020, quando decidiram fundar um novo laboratório em busca de um caminho mais responsável para o avanço dos sistemas de inteligência artificial. As participações individuais foram estimadas em até US$ 15,5 bilhões após a rodada de captação de maio, e o grupo se comprometeu a doar 80% de suas fortunas.

“As coisas nunca mais vão voltar a ser tranquilas”, disse Amodei em uma das primeiras reuniões da empresa.

Anteriormente, os profissionais hesitaram entre abrir um negócio tradicional ou uma organização nos moldes do Cern. Diante dos altos custos operacionais da tecnologia, optaram por uma estrutura de benefício público.

“Nós sete realmente sentíamos que tínhamos nossa própria visão e queríamos simplesmente colocá-la em prática à nossa maneira, em outro lugar, porque haveria menos atrito”, disse Daniela Amodei ao Financial Times no início deste ano.

Governança e tomada de decisões

A liderança é dividida entre os irmãos Amodei, enquanto os demais integrantes — Tom Brown, Jack Clark, Jared Kaplan, Sam McCandlish e Christopher Olah — conduzem áreas estratégicas como pesquisa, computação e políticas públicas. A gestão do poder será exercida por meio de uma sociedade de responsabilidade limitada chamada Founder LLC, onde cada um terá direito a um voto.

“Eles podem compartilhar o compromisso com uma IA segura, mas ainda assim discordar sobre quando lançar um modelo, quanto gastar ou em quais mercados entrar”, disse Song Ma, professor de finanças e empreendedorismo da Escola de Administração de Yale.

“Essas diferenças teriam consequências tanto para a gestão quanto para o controle da empresa. A maneira como essas pessoas lidarem com suas divergências internas será extremamente importante à medida que as opiniões do público em geral sobre a IA começarem a divergir.”

Fonte: Folha - Tecnologia