Pular para o conteúdo principal

Caderno Mercado

Imprensa internacional repercute reeleição histórica de Lula no Brasil

Imprensa internacional repercute reeleição histórica de Lula no Brasil

A imprensa mundial destacou nesta segunda-feira (26) a reeleição do presidente Lula (PT), conquistada após uma reviravolta inédita no segundo turno realizado no domingo. Os principais veículos internacionais enfatizaram o caráter surpreendente do pleito e analisaram o impacto político do resultado para o cenário global.

Repercussão nos jornais dos Estados Unidos

O pleito brasileiro ocupou o topo das páginas principais dos maiores portais norte-americanos. A vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) marcou a primeira vez na história política do país em que um candidato reverteu o resultado após terminar a primeira etapa em segundo lugar. Lula assegurou 51,79% dos votos válidos, enquanto seu adversário contabilizou 48,21%.

O jornal norte-americano “The New York Times” destacou no topo de sua página inicial a reeleição de Lula e o panorama do resultado da eleição brasileira. Em reportagem, o jornal deu evidência ao poder de Lula para a virada: “O líder político mais influente da América Latina freou o avanço da direita”.

O jornal afirmou que Lula alcançou uma “recuperação memorável e espetacular”, além de destacar o tamanho da vitória do presidente brasileiro frente à pressão exercida pelo governo Trump.

“A improvável vitória de Lula no Brasil representou uma impressionante rejeição ao avanço da direita, dando novo fôlego a um movimento de esquerda que parecia à beira da extinção na América Latina. (…) Lula ofereceu um exemplo raro de resistência à estratégia de Washington de projetar seu poderio militar e econômico na região, enfrentando Trump enquanto o presidente americano tentava pressionar o Brasil com tarifas e sanções”, escreveu.

A TV CNN Internacional afirmou que “o Brasil se mantém à esquerda enquanto a América Latina vira à direita”.

Análise da mídia europeia

Na Europa, os jornais voltaram sua atenção para a quebra de expectativas gerada pelas pesquisas eleitorais e para a resistência da esquerda sul-americana.

O francês “Le Monde” afirmou que a reeleição de Lula ocorreu “para surpresa de todos”, porque as pesquisas eleitorais indicavam Flávio Bolsonaro à frente apesar de projetarem cenários de empate técnico.

“O presidente brasileiro de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, foi reeleito neste domingo, conquistando, contra todas as expectativas, um quarto mandato inédito, mas seu rival conservador, Flávio Bolsonaro, anunciou a intenção de pedir a anulação do pleito”, afirmou a reportagem.

Em artigo de opinião, o “Le Monde” também afirmou que “a extrema direita foi derrotada no Brasil”, em referência ao bolsonarismo, e destacou que Lula terá uma tarefa difícil para reduzir a desigualdade e defender as instituições brasileiras” diante de um Congresso dominado pela extrema direita”.

A rede britânica BBC também destacou no topo de sua página inicial a reeleição de Lula e falou em “vitória surpreendente” do petista.

“A eleição foi marcada por uma disputa acirrada e contraria uma tendência regional mais ampla de ascensão de líderes de direita, escreve nosso editor para a América Latina”, escreveu.

O veículo também afirmou que Lula enfrentará um Congresso “hostil” e um país dividido. O tablóide britânico “The Telegraph” afirmou que “Lula ganhou, mas a guerra continua para o Brasil”, em referência à polarização que permanece no país e o Congresso brasileiro avesso ao petista.

Visão da América Latina

Na região, a disputa acirrada e os desdobramentos jurídicos anunciados pela oposição ganharam destaque imediato.

O jornal argentino “La Nación” também destacou a reeleição de Lula no topo de sua página inicial e falou que o pleito representou uma “reviravolta no Brasil”. Também destacou que Lula obteve uma “virada inédita”. O veículo também mencionou a polêmica com denúncias de ambos os partidos e com a extensão de votação e destacou que Flávio Bolsonaro vai pedir a anulação dos resultados.

Com os resultados consolidados, o governo eleito agora se prepara para administrar as divergências institucionais e a oposição no Congresso nos próximos anos.

Fonte: Mundo