Imprensa internacional repercute vitória de Lula nas eleições do Brasil
A imprensa mundial deu ampla cobertura neste domingo (25) à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas brasileiras contra o candidato à reeleição Flávio Bolsonaro (PL). Diferentes veículos apontaram que o resultado marca a primeira vez na história política do país que um presidente acumula tantos mandatos e que um candidato consegue virar o pleito no segundo turno após terminar a primeira etapa atrás.
O olhar da imprensa norte-americana
O jornal americano The New York Times destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repeliu um movimento de direita liderado por Flávio Bolsonaro, “cujo pai foi condenado por tentativa de golpe após as eleições de 2022”. A publicação apontou que a virada representa uma rejeição ao conservadorismo latino-americano criticado pelo presidente Trump e pontuou que o “desfecho caótico” gerou riscos de contestação, agravado por problemas climáticos e falhas no transporte público durante a votação.
Já a agência Associated Press avaliou que o desfecho mantém uma distância diplomática entre Washington e a principal economia da América Latina. O texto resgatou que esta é a primeira ocasião desde o fim do regime militar em 1985 que o segundo colocado do primeiro turno vence a disputa, marcando possivelmente o encerramento da jornada política do veterano.
Cobertura de canais de notícias e negócios
A edição internacional da CNN classificou o pleito como histórico e tratou a disputa como uma “disputa extremamente acirrada” em meio a um cenário de profunda polarização. O canal lembrou que Lula é o primeiro brasileiro a assumir o comando do país em quatro ocasiões, enfrentando debates sobre custo de vida, criminalidade e corrupção, além de citar a confusão nos colégios eleitorais provocada pela extensão do horário de votação.
No setor econômico, o The Wall Street Journal resumiu que “Lula se agarra ao poder em meio a uma reviravolta eleitoral no Brasil”, consolidando sua posição entre os governantes democráticos mais longevos do planeta. Na mesma linha, o Financial Times definiu o retorno como “dramático” e classificou o quarto mandato como “histórico”, ressaltando que o resultado contrariou pesquisas e representou um revés para a estratégia de influência norte-americana na região.
Repercussão na América Latina e Europa
Na Argentina, o jornal Clarín apontou que o pleito impõe um impasse diplomático para o governo de Javier Milei. O veículo detalhou que o uso estratégico das redes sociais — como o grupo de WhatsApp “Exército de Lula”, que disparou para mais de 11 milhões de acessos após a pressão da derrota inicial — foi decisivo. O periódico também pontuou que o silêncio de Buenos Aires foi “ensurdecedor”, recordando os ataques anteriores desferidos por Milei contra o líder brasileiro.
Por fim, o jornal francês Le Monde registrou a queda histórica nas taxas de abstenção, votos brancos e nulos, além de relatar que Lula garantiu o quarto mandato após uma prorrogação “sem precedentes” no horário de votação decidida pelo Supremo Tribunal Federal diante de restrições de transporte público impostas por gestões municipais opositoras. O periódico também informou que Flávio Bolsonaro vai “pedir a anulação” do processo.
Fonte: Mundo