Byd quer dobrar produção no Brasil para 600 mil carros até 2027
A fabricante chinesa de veículos eletrificados Byd deu início aos trâmites para solicitar as licenças necessárias para dobrar a capacidade anual de sua planta industrial no território nacional, mirando a marca de 600 mil unidades. Paralelamente, o complexo situado no estado da Bahia entra na reta final de testes e conclusão das estruturas voltadas para pintura, soldagem e estamparia, conforme detalhou o principal executivo da organização no país.
Estratégia de nacionalização e exportações
A unidade fabril tem previsão de iniciar o ano de 2027 superando o índice mínimo obrigatório de 50% de nacionalização de autopeças. Essa medida visa cumprir rigorosamente as normas regulatórias vigentes e viabilizar o envio de automóveis para outros países da América Latina, destacou o vice-presidente sênior Alexandre Baldy.
Anteriormente, a companhia enfrentou críticas de entidades industriais nacionais devido à alta dependência de veículos importados e alíquotas reduzidas de forma temporária.
“A gente trabalha para inaugurar 2027 já ultrapassando essa posição e termos essas etapas em operação para sermos considerados um fabricante local”, afirmou Baldy.
Metas ambiciosas e o mercado interno
Com o objetivo claro de alcançar a liderança em vendas no mercado automotivo brasileiro até 2030, a marca enfrenta o desafio de uma procura interna que já ultrapassa a capacidade atual de fabricação.
Para efeito de comparação, o ranking anual de produção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) registra os seguintes volumes entre as principais montadoras: Fiat (723.365), Volkswagen (538.657), General Motors (323.070), Hyundai (214.128), Renault Geely do Brasil (184.914), Toyota (169.765), Honda (101.580), Caoa / Caoa Chery (68.739), Peugeot Citroën (64.528) e Nissan (59.374).
Mesmo com a aceleração dos processos para atingir o patamar de 25 mil automóveis fabricados mensalmente até o término de 2026, a projeção é de que a oferta continue abaixo da procura dos consumidores.
“Nossa demanda tem ficado em uma média de cerca de 30.000 carros por mês, o que significa que estamos deixando de faturar cerca de 5.000 a 6.000 vendas adicionais”, explicou o vice-presidente sênior.
Aporte financeiro e expansão internacional
O montante financeiro alocado na construção do complexo baiano já superou a cifra de R$ 5,5 bilhões. Além disso, a operação local atingirá nesta semana a marca histórica de 200 mil veículos faturados no acumulado de 2026. Apenas no mês de setembro, a montadora registrou 22.209 emplacamentos, garantindo uma fatia de 8,5% do mercado nacional.
A presença internacional da marca já se destaca no Uruguai, onde ocupa a liderança, além de expressiva participação na Colômbia e na Argentina. A estrutura instalada na Bahia também contabiliza encomendas de 50 mil unidades destinadas ao México e outras 50 mil para o mercado argentino, demandas que poderão ser supridas a partir do próximo ano com a elevação dos índices de componentes nacionais.
Inaugurada oficialmente em 9 de outubro de 2025 nas instalações do antigo complexo industrial da Ford em Camaçari, a fábrica atualmente emprega aproximadamente 9.000 colaboradores, com expectativa de expansão para cerca de 10.000 postos de trabalho até o encerramento deste ano.
Fonte: G1 Economia