Empresários veem vitória de Flávio como chave para negócios na Venezuela
Empresários e consultores do setor energético avaliam que a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) na próxima eleição presidencial poderia destravar e facilitar a obtenção de licenças do Departamento de Estado dos Estados Unidos para investir no mercado petrolífero da Venezuela.
Entrada de companhias brasileiras no mercado venezuelano Atualmente, a exigência do “ok” americano desafia corporações do Brasil interessadas em participar da reabertura econômica do país vizinho, que abriga 20% das reservas mundiais de petróleo. Pelo menos três empresas brasileiras já ingressaram no setor: a holding Alvorada, a Globe — integrante do conglomerado dos irmãos Wesley e Joesley Batista — e a Eneva, principal operadora privada de gás natural no território brasileiro.
A proximidade de Flávio Bolsonaro e de sua família com Donald Trump é apontada por fontes do empresariado como um fator decisivo para acelerar as autorizações da equipe diplomática liderada por Marco Rubio. Em contrapartida, avalia-se que a atual diplomacia do governo Lula possui margem limitada de barganha para introduzir novos investidores em Caracas, especialmente após o distanciamento político gerado pela falta de reconhecimento dos resultados eleitorais de 2024 na Venezuela.
Nova dinâmica e contratos no setor petroleiro Desde a captura de Nicolás Maduro e o recuo de sanções internacionais, a Venezuela tem reestruturado sua economia. Gigantes globais como Chevron, Repsol e Eni lideram a exploração na região onshore, predominantemente em terra firme devido à velocidade de retorno financeiro. No entanto, novas companhias buscam parcerias com contrapartes norte-americanas para mitigar barreiras políticas e garantir aprovação da Casa Blanca.
Paralelamente, ocorre uma revisão ampla dos contratos de participação produtiva pela estatal PDVSA em conjunto com autoridades dos EUA. O objetivo é afastar indivíduos ligados ao regime anterior ou a governos como Cuba e Irã, priorizando parceiros alinhados aos interesses de Washington.
Posicionamento das empresas e expansão para outros setores Procuradas pela reportagem, Globe e Eneva preferiram não comentar sobre o impacto do pleito presidencial nos investimentos futuros. Por sua vez, a Alvorada declarou em nota que “a continuidade do atual governo tende a manter o padrão atual da relação bilateral, enquanto uma mudança tende a aproximar o Brasil da agenda americana para a região”. A empresa acrescentou que, “em qualquer cenário, uma relação pragmática entre os governos facilita a entrada de mais empresas brasileiras no setor.”
Além do petróleo, o apetite empresarial brasileiro se expande para áreas correlatas de infraestrutura, construção civil, agricultura e serviços logísticos sob a coordenação de entidades como o Lide. Enquanto o cenário político venezuelano avança em meio a uma transição supervisionada por Washington, o empresariado nacional aguarda definições geopolíticas para consolidar sua presença no país.
Fonte: Folha - Mercado