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Caderno Mercado

Munições do Exército e o desafio no rastreamento de armas no Brasil

Munições do Exército e o desafio no rastreamento de armas no Brasil

O rastreamento de armamentos e cartuchos no país enfrenta obstáculos severos, evidenciados por recentes descobertas jornalísticas e estudos sobre segurança pública que apontam falhas estruturais no controle estatal.

Dificuldade de acesso a dados públicos

Um levantamento recente demonstrou que as corporações policiais estaduais ignoram ou negam impressionantes 71% dos pedidos de informação sobre armamentos de fogo, dificultando o trabalho de fiscalização e o controle social da segurança pública.

Desvios e o avanço da criminalidade

Em uma revelação alarmante, uma pesquisa inédita realizada pelo programa Fantástico identificou cartuchos adquiridos originalmente pelo Exército Brasileiro em apreensões policiais ligadas à facção criminosa Comando Vermelho.

Sobre a necessidade de reformas profundas no sistema de segurança, Roberto Uchôa, pesquisador na Universidade de Coimbra e associado sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ex-policial federal e civil no Rio de Janeiro, destacou: “Sem limpar o Estado, não há combate ao crime”.

Tecnologia e estatísticas de violência

Apesar dos desafios no controle, ferramentas como o chamado banco de DNA das balas já auxiliaram as autoridades policiais em cerca de 9 mil investigações distintas, permitindo mapear marcas em cartuchos que revelam o fabricante, o lote e o ano de produção.

Os impactos dessa circulação armada refletem-se nos índices letais do país. Dados recentes divulgados pelo Atlas da Violência mostram que sete em cada dez homicídios cometidos no Brasil em 2024 utilizaram armas de fogo, resultando em uma taxa de um assassinato a cada 16 minutos, sendo que 77% das vítimas fatais eram pessoas negras.

A discussão sobre o armamento e a eficácia dos mecanismos de controle segue no centro do debate nacional, unindo preocupações sobre a atuação das forças de segurança, a integridade dos estoques oficiais e a preservação da vida.

Fonte: G1 - Política