Eleições presidenciais: Flávio Bolsonaro e Lula apostam em estratégias distintas na TV
A menos de uma semana para a definição do segundo turno da disputa presidencial, as campanhas televisivas intensificaram o tom nesta segunda-feira (19). Enquanto Flávio Bolsonaro (PL) convocou seus apoiadores para uma forte mobilização, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) focou suas propostas na área da segurança pública e resgatou um caso judicial envolvendo o senador.
Apelo pela reta final e o projeto Vira Pix
No começo de seu tempo de rádio e TV, Flávio Bolsonaro pediu “mobilização total” aos correligionários para a semana decisiva, incentivando ações intensas nas ruas, nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens.
“Está chegando a hora. Eleição a gente ganha hoje, ganha amanhã, é todo dia até o dia de votar. É mobilização total, não pode relaxar. Agora é força máxima nas redes, nas ruas, nos grupos. Ou o Brasil vence, ou eles derrotam o Brasil. O jogo só termina quando o juiz apita. E, do outro lado, você já sabe: é só jogo sujo e mentira. Então, bora para cima e vamos confirmar essa vitória. Eu preciso de vocês. O Brasil precisa de vocês”, disse Flávio Bolsonaro.
Além do apelo eleitoral, o programa do candidato do PL divulgou o “Vira Pix”, um plano de recompensas criado em parceria com a Caixa Econômica Federal. A peça publicitária explicou que o mecanismo devolverá aos cidadãos uma fatia dos valores gastos em contas e taxas do dia a dia.
“Flávio vai criar, junto com a Caixa, um plano de recompensa para todo mundo no Brasil. É o Vira Pix. Conta de luz, prestação, taxa, tudo o que você pagar, uma parte volta para o seu bolso. Vai virar Pix para você”, afirmou o narrador, fechando com o lema “Vira Pix. A proposta é do Flávio. A mudança é para você”.
O caso Ana Clara e a defesa no STJ
Do outro lado, a propaganda petista exibiu o caso do assassinato da menina Ana Clara Machado, de 5 anos, morta em fevereiro de 2021 em uma comunidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. A peça lembrou a atuação de Flávio Bolsonaro como advogado do cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delarolli, apontado como autor do disparo de fuzil que atingiu a criança.
“Ana Clara Machado tinha cinco anos quando foi atingida por um tiro de fuzil na porta de casa. Não era ação da polícia. O PM Bruno Dias Dellaroli disparou de forma consciente na direção de uma casa. Moradores tentaram impedir. Bruno Dellaroli não parou. Ana Clara morreu. Flávio Bolsonaro foi um dos advogados na defesa do policial, o assassino de Ana Clara, uma garota de cinco anos. Você acha que quem defende um assassino de criança vai te defender?”, diz a apresentadora.
O policial tornou-se réu por homicídio doloso e enfrentará o Tribunal do Júri em maio de 2027, respondendo em liberdade desde o final de 2021. Em 2024, a defesa integrou Flávio Bolsonaro na tentativa de reverter a decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os advogados argumentaram falhas periciais e pediram a alteração para homicídio culposo, sem intenção de matar, além da remoção da agravante de falta de defesa da vítima, mas o STJ rejeitou os pleitos.
Novas diretrizes para a segurança pública
Aproveitando o espaço, o programa de Lula detalhou diretrizes para o setor, com ênfase no fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) para unir a atuação das corporações policiais em âmbito federal, estadual e municipal.
“Durante muito tempo, a Polícia Federal não falava com a Militar, a Militar não falava com a Civil e ninguém falava com a guarda da tua cidade. Sabe quem adorava isso? O crime. Porque facção não respeita divisa de estado”, afirmou Lula.
O plano exposto pela coligação engloba quatro eixos estratégicos: a unificação da inteligência policial, a conversão de 1.138 presídios estaduais em locais com padrão federal de segurança máxima, a reconquista de áreas dominadas por organizações criminosas e a ampliação das ações de combate ao financiamento das facções.
Fonte: G1 - Política