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Caderno Mercado

Ifood compra caju e acirra disputa no mercado de beneficios corporativos

Ifood compra caju e acirra disputa no mercado de beneficios corporativos

O mercado brasileiro de benefícios corporativos passou por uma reviravolta nesta terça-feira (20) com o anúncio da compra da Caju pelo iFood Benefícios. A aquisição estratégica une duas das principais forças que desafiam as operadoras tradicionais do setor, embora o valor financeiro da transação não tenha sido divulgado pelas companhias envolvidas.

Expansão além do delivery

Essa movimentação financeira ocorre integrada a um plano de investimentos robusto da gigante de entregas, que prevê o aporte de R$ 24 bilhões até março de 2027 em setores como tecnologia, soluções corporativas e serviços financeiros. Trata-se de um segmento multibilionário no país.

Atualmente, o mercado movimenta cerca de R$ 150 bilhões anualmente e presta atendimento a mais de 22 milhões de empregados vinculados ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), iniciativa do governo federal que normatiza o vale-refeição e o vale-alimentação.

Trajetória das empresas no setor

Fundadas em 2020, tanto o iFood Benefícios quanto a Caju conquistaram espaço relevante ao apostarem em formatos digitais e em cartões multibenefícios, reunindo várias categorias em uma única ferramenta.

Atualmente, o iFood Benefícios soma cerca de 65 mil clientes corporativos e 1,7 milhão de usuários. Por sua vez, a Caju reporta mais de 70 mil empresas clientes e 1,3 milhão de trabalhadores atendidos, oferecendo também ferramentas para gestão de pessoas e controle de despesas corporativas.

O que muda para os clientes

Para os usuários, empregadores e redes credenciadas, a transação não trará alterações imediatas. Como o acordo precisa passar pelo crivo do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), as companhias continuarão funcionando de forma independente até a conclusão do processo regulatório.

Em comunicado, Eduardo Del Giglio, CEO e cofundador da Caju, afirmou que a expectativa da empresa é ampliar investimentos em produtos e tecnologia após a conclusão da operação. “Juntar forças com o iFood Benefícios é a chance de acelerar o que já fazemos, abrindo espaço para a inovação com mais investimento em experiência e produto”, afirmou.

Em comunicado, Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios, afirmou que a operação está alinhada à estratégia da empresa para ampliar sua atuação no setor. “Repensamos a cadeia de valor do benefício, e os pontos de partida foram o restaurante e o trabalhador. Quando o custo da transação cai, o estabelecimento opera com mais margem e pode repassar esse ganho em alimentação mais barata para o trabalhador e em mais investimento no negócio”, disse.

Contexto regulatório e concorrência

A consolidação do negócio ocorre em meio às transformações nas normas do Programa de Alimentação do Trabalhador, que buscaram incentivar a competitividade e diminuir as taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais.

Enquanto o cartão do iFood possui aceitação em mais de 11 milhões de locais físicos e conexão com mais de 500 mil mercados e restaurantes da plataforma, a Caju destaca presença em mais de 12 milhões de pontos comerciais em todo o território nacional.

Fonte: G1 Economia