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Caderno Mercado

China, México e Chile barram frango do Brasil após foco em SC

China, México e Chile barram frango do Brasil após foco em SC

O Ministério da Agricultura e Pecuária comunicou que China, México e Chile impuseram restrições às compras de carne de frango brasileira. A decisão veio após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus situado no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina.

Impacto das barreiras comerciais no setor A interrupção decretada pelos chineses restringe-se exclusivamente à produção catarinense. O governo brasileiro conduziu negociações com a China, principal parceiro comercial do país no setor, para impedir uma suspensão de alcance nacional. Os chineses representam aproximadamente 10% das vendas totais do Brasil entre janeiro e setembro, somando 420 mil toneladas comercializadas.

O acordo bilateral prevê um autoembargo inicial diante de ocorrências da doença de Newcastle ou de gripe aviária, permitindo que Pequim defina posteriormente a extensão do veto. Com o bloqueio restrito ao território catarinense, o setor nacional tem a alternativa de redirecionar os embarques por meio de abatedouros situados em outras unidades federativas.

Santa Catarina responde por mais de 20% das exportações de carne de frango do Brasil, país que lidera a exportação global desse item, conforme dados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Analistas avaliam que o episódio tende a não gerar prejuízos econômicos de longo prazo, desde que as autoridades sanitárias consigam realizar a contenção com rapidez.

Decisões de chilenos e mexicanos Enquanto o Chile optou por bloquear as aquisições provenientes unicamente de Santa Catarina — abrangendo carne, ovos e aves ornamentais —, o México determinou a suspensão das importações de todo o território nacional, afetando aves vivas, ovos e carne.

Em comunicado oficial, a pasta declarou que a situação dos demais mercados segue em monitoramento.

“O Mapa mantém articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores, fornecendo informações técnicas sobre a ocorrência e as medidas de controle adotadas. A atuação busca assegurar a transparência das informações e avançar nas tratativas para a retomada segura do comércio.”

Histórico recente e riscos à saúde humana O último registro da enfermidade no país havia ocorrido em julho de 2024, no Rio Grande do Sul. Naquele período, as exportações recuaram cerca de 25% no mês afetado pelas barreiras, o equivalente a 100 mil toneladas, mas recuperaram-se com celeridade após a reabertura dos mercados, sem grandes reflexos financeiros para processadoras como BRF e JBS.

No caso recente de Santa Catarina, a ocorrência não apresenta manifestação clínica, o que significa que o vírus foi detectado, mas a doença não se manifestou nos animais confinados. A enfermidade pode ser transmitida a humanos por contato indireto com água, alimentos, trânsito de pessoas, equipamentos e veículos, configurando uma zoonose capaz de provocar conjuntivite transitória, embora seja grave apenas para as aves.

Especialistas esclarecem que o consumo de carne e ovos devidamente cozidos não oferece riscos de infecção para a população, conforme orientações da Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola) e da Embrapa. As aves de lotes afetados são integralmente eliminadas para impedir a disseminação do vírus.

Fonte: Folha - Mercado