Primeiro leilão de gás da União atrai 36 empresas habilitadas
Trinta e seis companhias foram oficialmente habilitadas para participar do inédito leilão de venda direta de gás natural da União direcionado ao setor industrial brasileiro, conforme divulgado pela Pré-Sal Petróleo. O certame está marcado para ocorrer na próxima quinta-feira (24).
Inovação no pré-sal
Esta é a primeira oportunidade em que a estatal comercializa de maneira direta com consumidores uma fatia do gás do pré-sal pertencente à União, participante em contratos de partilha. Enquanto o óleo bruto já vai a leilão desde 2018, o gás era tradicionalmente adquirido pela Petrobras.
A transação direta com o consumidor final representa uma estratégia governamental para fomentar a concorrência e baratear o insumo. A oferta inicial, contudo, é modesta: 1,1 milhão de metros cúbicos diários, correspondentes a 1,6% da produção disponibilizada ao mercado em agosto.
Divisão dos lotes e precificação
A oferta total foi fracionada em 110 lotes de 10 mil metros cúbicos diários cada, separados em cinco setores industriais: cerâmico (20 lotes), vidreiro (10), químico e petroquímico (35), fertilizantes nitrogenados (13), além de siderurgia, metalurgia e mineração (32).
O cálculo do preço obedecerá a uma fórmula vinculada ao mercado norte-americano, utilizando 115% da média mensal do Henry Hub convertida pelo câmbio do mês anterior, acrescida de um prêmio a ser definido durante a disputa. O lance mínimo para este prêmio ficou estabelecido em US$ 1,80 por milhão de BTU, com saltos de US$ 0,02 por lance, sagrando-se vencedor quem apresentar o maior valor. A identidade das companhias participantes não foi divulgada.
O recebimento do insumo ocorrerá no Complexo de Energias Boaventura, situado no município fluminense de Itaboraí, cabendo a cada adquirente a responsabilidade de contratar o escoamento por gasodutos até as respectivas unidades fabris.
Mudanças no setor e adiamento da ANP
Paralelamente, a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis comunicou o adiamento de uma audiência pública focada em diretrizes para diminuir a hegemonia da Petrobras no setor, medida celebrada pela empresa. O encontro debateria o “gas release”, mecanismo que exigiria a abdicação de contratos de compra de gás de parceiros no pré-sal.
As discussões sobre a redução da influência da Petrobras derivam da Lei do Gás sancionada na gestão de Jair Bolsonaro e geram conflito atual entre a companhia e o Ministério de Minas e Energia, sob o comando do ministro Alexandre Silveira.
Inicialmente agendada para quarta-feira (21), a audiência foi remarcada para o dia 19 de novembro. “O adiamento beneficia o bom andamento do processo regulatório, permitindo que o debate público não seja realizado de forma açodada e que sejam mais bem avaliados os impactos de curto, médio e longo prazo”, pontuou a Petrobras por meio de comunicado oficial.
Fonte: Folha - Mercado