Estaleiro Rio Grande inicia construção do primeiro navio da Petrobras
O Estaleiro Rio Grande deu início nesta quinta-feira (15) à fabricação do primeiro navio de combustíveis encomendado pela Petrobras, marcando um passo importante na promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de revitalizar o setor naval no país.
Atrasos e desafios na retomada
O pontapé inicial da construção acontece com defasagem em relação ao cronograma inicial traçado pela Transpetro, braço de logística da estatal. Ao abrir a licitação em 2024, a expectativa era que a primeira unidade fosse lançada ao mar em junho deste ano. O encadeamento das primeiras quatro encomendas demorou mais que o previsto, refletindo as dificuldades de um mercado que enfrentou a década passada com pátios parados e várias empresas em recuperação judicial.
“A construção desses navios representa um marco na retomada dos investimentos da Transpetro em sua frota própria”, disse, na cerimônia desta quinta, o diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Jones Soares.
Contratos bilionários e parcerias
A subsidiária licitou 16 embarcações ao longo do terceiro mandato de Lula, divididas entre oito para combustíveis e oito para gás de cozinha. Desse total, 13 foram direcionadas ao Estaleiro Rio Grande, ligado ao grupo Ecovix, enquanto três ficaram com construtoras da China. A baixa concorrência nos certames decorreu da fragilidade financeira de potenciais rivais, incapazes de obter crédito para iniciar os projetos. Os acordos fechados com o estaleiro gaúcho somam aproximadamente R$ 15 bilhões.
Para viabilizar o primeiro contrato, a empresa precisou se aliar ao Estaleiro Mac Laren, que detinha as garantias exigidas pelos bancos. Somente em julho de 2025, após a assinatura inicial, o Estaleiro Rio Grande encerrou sua recuperação judicial, ganhando autonomia para concorrer sozinho aos demais lotes.
“O dia de hoje concretiza a força e a capacidade do Estaleiro Rio Grande”, disse nesta quinta o CEO da Ecovix, Robson Passos. A unidade conta atualmente com cerca de 500 profissionais dedicados ao processamento de aço do navio, atividade iniciada em abril.
Investimentos e panorama da indústria
O batimento de quilha marca o início oficial da montagem, rito que antecede o lançamento ao mar para acabamentos e a posterior entrega ao operador. A revitalização do setor faz parte de uma promessa eleitoral encampada pela Petrobras, que movimenta um programa estimado em R$ 30 bilhões para adquirir 20 navios de cabotagem, 18 barcaças, 18 empurradores e 40 embarcações voltadas ao apoio de plataformas petrolíferas.
Do total projetado, 30 unidades já foram asseguradas, impulsionando polos produtivos na Bahia e em Santa Catarina. O primeiro exemplar foi finalizado em setembro, com o restante da programação estendido entre 2027 e 2030.
Fonte: Folha - Mercado