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Caderno Mercado

Corregedoria da PM investiga sargento após tiro em ato na UFS

Corregedoria da PM investiga sargento após tiro em ato na UFS

A Corregedoria da Polícia Militar de Sergipe abriu investigação para apurar a conduta do sargento Manoel Messias do Santos, que foi afastado após ser apontado como o autor de um disparo de arma de fogo durante uma manifestação política. O caso ocorreu na noite desta quinta-feira (8), em frente ao campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em um evento pró-Lula.

A apuração da Polícia Militar e Civil

As autoridades buscam esclarecer todas as circunstâncias do tumulto que gerou pânico entre os presentes. O tenente-coronel Allyson Cruz, chefe da comunicação da PM, declarou sobre o andamento do caso: “A gente precisa agora ouvir todos os envolvidos e, de forma imparcial e isenta, de acordo com os princípios da administração pública, fazer a apuração dos fatos, e a cada um cabe as consequências dos seus atos de acordo com a legislação”.

Paralelamente ao inquérito militar, a Polícia Civil recolheu a arma do policial e solicitou um exame residuográfico para identificar vestígios de pólvora. Os investigadores também analisam gravações de câmeras de segurança e registros feitos por testemunhas para entender a dinâmica da ocorrência.

Relato estudantil e posicionamento oficial

O ato havia sido organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE/UFS) para discutir políticas públicas e a defesa da democracia. De acordo com o presidente da entidade, Fábio Henrique de Souza, o tumulto começou após o encerramento da mobilização: “Todo mundo estava voltando para suas casas e outras pessoas retornando para dentro da universidade. Mas, enquanto a gente fazia esse processo de dispersão, um carro de cor prata parou, começou a discutir com alguns estudantes e fez três disparos para cima. Só tinha esse carro parado […] nenhum estudante estava bloqueando a via, porque já tínhamos finalizado o ato”.

Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) e o comando da corporação destacaram que reprovam qualquer comportamento ilegal de seus agentes. A pasta reforçou ainda o compromisso de assegurar a integridade física da população e a pacificidade do período eleitoral. A UFS também se manifestou, declarando que monitora os desdobramentos junto aos órgãos competentes e repudia atos intimidatórios.

Repercussão política nacional

O episódio ganhou grande repercussão entre autoridades federais. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, utilizou as redes sociais para criticar o ato: “URGENTE! Bolsonarista armado dispara contra manifestação de Lula em Sergipe! Zambelli, Roberto Jefferson e agora o atirador de Sergipe… Esse é o Brasil dos Bolsonaristas”.

Na mesma linha, o advogado-geral da União, Jorge Messias, alertou sobre o risco da escalada de agressões: “É preciso denunciar, com toda clareza, o que está acontecendo novamente. O Brasil já viveu esse roteiro — e conhece suas consequências. Trata-se de violência política: o mesmo ambiente de radicalização que contribuiu para a morte de pessoas inocentes em 2018 e 2022, alimentou o ‘bangue-bangue’ nas ruas e nas redes sociais e culminou na destruição das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 parece estar ganhando força outra vez”. Apesar do susto e da correria generalizada registrada em vídeos, ninguém ficou ferido.

Fonte: SERGIPE